Meus queridos,
na semana passada, contei a história do meu colega de trabalho q correu a maratona. Conversando com ele depois, ele me falou sobre um texto no livro de um ultramaratonista americano, que foi bastante inspirador pra ele. O detalhe é que eu já tinha lido este livro, mas não fui tão sensibilizado assim pelo tal texto. Acho q é aquele lance de q a gente tem reações diferentes aos mesmos estímulos, dependendo da nossa situação no momento. Hoje em dia, eu leio o texto de novo e o acho foda! Mas na primeira vez q li, achei normal. Mais uma vez, coloco este texto aqui por acreditar que a vida de um candidato ao IME e ao ITA é tão extenuante e exige tanta dedicação quanto a preparação de um cara assim. Vejam.
Dean Karnazes é um ultramaratonista americano, que chegou a correr distâncias superiores a 300 km continuamente. Foi considerado pela revista Fitness(R) o homem mais em forma do planeta. Pois ele se propôs um desafio: correr 50 maratonas, em 50 dias, por 50 estados americanos diferentes.
A rotina basicamente era: correr a maratona de manhã, dar entrevistas, entrar no ônibus, viajar até o próximo estado e repetir tudo no dia seguinte. 50 vezes. Só de pensar, já cansa... hehehe
Para quem quiser ler, o livro é "50 maratonas em 50 dias - As lições que aprendi correndo".
Segue o texto:
“Cruzar a linha de chegada de uma maratona pela primeira vez é um momento com conseqüências para toda a vida. Ao fazê-lo, prova-se algo para si mesmo que jamais será tirado. Deixa-se o evento com sinais evidentes de que se é forte, jovial e corajoso. Uma coisa é imaginar que se tinha capacidade para correr uma maratona; outra bem diferente é saber, porque o fez. As primeiras maratonas são imensamente desafiadoras, até mesmo para os corredores mais talentosos. Quarenta e dois quilômetros são um longo caminho a percorrer, para qualquer pessoa. A partir do momento em que se é capaz de assumir e superar um desafio de tais proporções, os benefícios são certos – na forma de confiança, respeito próprio e coragem – e nunca desaparecem.
Mesmo que o processo de treinamento para uma maratona não seja extremamente estimulante para a saúde, ainda assim sugeriria a todos que corressem pelo menos uma maratona, apenas pelos efeitos poderosos que provoca na mente e no espírito. Afinal, não passamos a maior parte da vida duvidando de nós mesmos, pensando que não somos bons o suficiente, não somos fortes o suficiente, não fazemos o certo? A maratona proporciona uma forma de analisar o contexto da nossa própria essência, eliminando todas as barreiras protetoras e expondo nossa alma. A maratona diz que o prejudicará, que você ficará desmoralizado e derrotado como um amontoado inerte ao lado da estrada. Ela diz que não pode ser feita – não por você. Ah!, ela zomba de você. Somente nos seus sonhos!
Então, você treina pesado; dedica-se de todo o coração; sacrifica-se e supera os inúmeros pequenos desafios ao longo do caminho. Deposita tudo que conseguiu nela. Mas sabe que a maratona exigirá muito mais de você. Nas profundezas escuras da mente uma voz pessimista está dizendo: Você não consegue. Você se esforça ao máximo para ignorar essa insegurança, mas a voz não o abandona.
Na manhã da primeira maratona, a voz da dúvida se multiplica, tornando-se um coro completo. Na altura do quilômetro 30, esse coro está gritando tão alto que é só o que você consegue escutar. Os músculos doloridos e esgotados imploram que você pare. Você deve parar. Mas você não pára. Dessa vez, ignora a voz da dúvida; ignora aquele que diz que você não é bom o suficiente, e só ouve a paixão no seu coração. Esse desejo ardente diz para continuar, para colocar um pé audaciosamente à frente do outro, e em algum lugar você encontra a força de vontade para fazê-lo.
A coragem surge de diversas formas. Hoje você descobre a coragem para continuar tentando, para não desistir, por mais terríveis que as coisas se tornem. E elas se tornarão terríveis. Na marca do quilômetro 40, você quase não conseguirá ver mais o percurso – a visão se torna vaga e vacilante ao mesmo tempo que a mente oscila nos limites da consciência.
E então, repentinamente, a linha de chegada floresce à sua frente, como um sonho. Um nó se forma na garganta durante o percurso daqueles poucos passos finais. Agora, você finalmente consegue responder à irritante voz com um inequívoco Sim, eu posso!
Sua explosão ao cruzar a linha de chegada, cheio de orgulho, para sempre livre da prisão da insegurança e das limitações autoimpostas que o mantiveram prisioneiro. Você aprendeu mais sobre si mesmo nos últimos 42 quilômetros do que em qualquer outro dia de sua vida. Mesmo que não consiga andar mais tarde, você nunca foi tão livre. Completar uma maratona é mais do que apenas algo que se ganha; um maratonista é alguém em quem você se transforma.
Enquanto estiver sendo ajudado na linha de chegada, envolto em um cobertor fino de Mylar, mal conseguindo levantar a cabeça, você está em paz. Nenhuma luta, dúvida ou fracasso futuros podem remover o que realizou hoje. Você fez o que poucos farão – o que pensou jamais conseguir fazer – e é o despertar mais glorioso e inesquecível. Você é um maratonista e usará essa distinção não na lapela, mas no coração, para o resto da vida.”
Depois que vc for aprovado, usará "esta distinção não na lapela, mas no coração, para o resto da vida.” - Você é um aprovado. Você conseguiu. Em meio a tantos que tentaram, vc é um vitorioso.
A cada dia, quando acordar, lembre disto. Vc está se esforçando pra ser vitorioso. Vc não está se esforçando pra ser um qualquer, o seu esforço vale muito. Ele vai mudar a sua vida. Vai fazer vc estar em um patamar mais elevado. E não estou falando de dinheiro, estou falando de vida. Você vai se sentir melhor. Mais confiante. Mais vibrante. Um guerreiro vencedor!
Como já disse algumas vezes, se tivesse a idade de vcs, faria exatamente tudo q fiz, do mesmo jeito. Essa sensação de dever cumprido é sensacional. A sensação de ter alcançado os meus objetivos. Posso dizer de coração: vale a pena! Óbvio que os objetivos mudam, e a gente vai sempre tendo um alvo na frente. Mas concentre-se no seu alvo atual: a aprovação.
Confie em Deus, trabalhe e acredite em vc. Vai dar certo!
Grande abraço a todos, beijomeliga!
Este blog é destinado a todos os candidatos que sonham com a aprovação nos concursos mais difíceis e respeitados do país.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
A maratona e o candidato
Meus queridos,
neste último domingo, aconteceu a disputa de uma maratona aqui no Rio de Janeiro. São 42.195 metros de corrida. Para quem não tem uma idéia do que é isso, a largada é no Recreio e a chegada é no bairro que tem o nome daquele time do goleiro preso. Antes que vc pense q eu fiquei maluco e vou fazer um relato esportivo, permita-me explicar porque comecei falando da maratona.
Costumo fazer analogias entre eventos esportivos de alto nível e a preparação de um aluno de turma IME/ITA. Ambas as atividades exigem dedicação, esforço, suor e comprometimento, e no fim recompensam de forma inigualável os vencedores.
Tenho um colega de trabalho, Pinho, que correu a maratona no domingo passado. Pude conviver de perto com a preparação dele. Cabe ressaltar que ele não é um atleta de ponta. É um cara que corre bem e decidiu correr a maratona. Não estou fazendo pouco caso, pelo contrário. O que eu estou dizendo é que ele não sofreu tanto na preparação porque queria ganhar a maratona. Queria correr a maratona, oq já exige muito esforço. No caso dos alunos, não estamos falando de ser o 01. Estamos falando de ser aprovado.
Antes de começar a preparação, o Pinho jogava futebol com a galera na educação física. Meses antes da prova, quando começou a se preparar realmente, ele parou de jogar. O futebol é um esporte de impacto, e isto poderia causar alguma lesão que atrapalhasse o treinamento. Mesmo gostando de jogar futebol, foi necessário que ele parasse, visando o objetivo da maratona.
Aprendizado 1: Por mais que algumas atividades te dêem prazer, pode ser necessário que vc abra mão, em prol do objetivo final.
Como já disse, ele começou a treinar meses antes da prova. Lembro de um sábado de manhã, chovendo, em que estava saindo de casa para ir dar aula e encontrei com ele. Eram 7:30 de sábado, e ele já estava terminando a corrida. Corria durante os horários de educação física e mais 3x por semana de noite, seguindo um grupo conduzido por um instrutor. Corria de noite e nos fins de semana, em diferentes tipos de esforço (corridas em terrenos planos, em ladeiras, com ritmo mais cadenciado, com ritmo mais puxado, etc.). Este instrutor, além de acompanhar as corridas, orientava sobre alimentação, jeito de pisar, tênis adequado, etc..
Aprendizado 2: A preparação não começa na véspera da prova. Começa muito tempo antes. E é mais bem aproveitada se for conduzida e acompanhada por um profissional que tenha experiência no assunto. Por isso, é importante que o candidato faça um curso, focado no concurso que ele deseja.
O Pinho é casado e tem duas filhinhas pequenas. Obviamente, todo esse treinamento exigiu que ele abrisse mão de muitas horas com a família. Durante os meses de preparação, ele dividiu o tempo entre a família, o trabalho e o grupo de treinamento. No caso do candidato, ele passa mais tempo no curso do que em casa, com a família ou com a namorada(o).
Aprendizado 3: Não é nenhum crime vc abrir mão de tempo com a sua família para se dedicar ao seu objetivo. Pelo contrário, isto é necessário. Mas também é importante dosar esta carga, para não enlouquecer... hehehe
Durante o treinamento, houve corridas longas. Nenhuma tão longa quanto a prova real, de 42 km. Neste ponto, o curso preparatório é diferente do grupo de corrida do Pinho. Num curso, o treinamento é feito para níveis acima da prova. Ou seja, a idéia é que o candidato não seja surpreendido na hora do "vamos ver". Mas na maratona, aconteceu isso. A maior distância percorrida nos treinamentos era menor do que a distância da prova valendo. Logo, na prova, chegou uma hora em que o corredor não sabia mais oq esperar. Ele não tinha treinado aquilo. Para um candidato, isso é muito perigoso. Quase mortal. Evite isso com todas as suas forças. Como? Treinando muito e melhor, sempre.
Aprendizado 4: Treine com o máximo de intensidade e exigência. A hora da prova não é hora de surpresas.
Ele me disse que durante a prova, sentiu vontade de parar algumas vezes, para descansar. Mas ele sabia que, se parasse, não voltaria a correr depois. Por isso, continuou correndo. Até pra terminar com aquele sofrimento o mais rápido possível... hehehe
Aprendizado 5: Se estiver cansado, morrendo, diminua o ritmo. Mas não pare!
Para o Pinho, a sensação de terminar a prova deve ter sido fantástica. Ver todo o seu esforço recompensado. Ele fez a prova com um excelente tempo para atletas amadores: 3 horas e 24 minutos. É isso mesmo que vc leu. 3 horas e meia correndo. E isso é um tempo mto bom! Sem dúvidas, o resto de domingo e a segunda-feira foram de dores. Mas com aquela sensação do dever cumprido. Quando o candidato sai de uma prova do IME ou do ITA, ele sai sugado. Doído. Mas, se tudo correu como planejado, ele sai feliz. Eu, pessoalmente, não gosto de correr. Mas adoro a sensação do pós-corrida. Ultimamente, no meu ritmo iniciante, tenho corrido 9 ou 10 km 2x por semana. Mas posso dizer com mais experiência sobre o concurso. A sensação do dever cumprido é incomparável. Por mais que tenha sido cansativo e extenuante todo o processo.
Aprendizado 6: A sensação no fim de tudo vale a pena. Mesmo que vc não tenha atingido seu objetivo, a sensação será boa se vc tiver se dedicado com o máximo de suas forças. Mas confie: fazendo tudo direitinho, seu objetivo vai ser alcançado!
E, pra finalizar, um último aprendizado: por mais que a maratona seja longa, ela é cumprida com um passo após o outro.
Um ótimo final de semana a todos. E lembrem-se: Um passo de cada vez, sem parar.
Beijomeliga.
neste último domingo, aconteceu a disputa de uma maratona aqui no Rio de Janeiro. São 42.195 metros de corrida. Para quem não tem uma idéia do que é isso, a largada é no Recreio e a chegada é no bairro que tem o nome daquele time do goleiro preso. Antes que vc pense q eu fiquei maluco e vou fazer um relato esportivo, permita-me explicar porque comecei falando da maratona.
Costumo fazer analogias entre eventos esportivos de alto nível e a preparação de um aluno de turma IME/ITA. Ambas as atividades exigem dedicação, esforço, suor e comprometimento, e no fim recompensam de forma inigualável os vencedores.
Tenho um colega de trabalho, Pinho, que correu a maratona no domingo passado. Pude conviver de perto com a preparação dele. Cabe ressaltar que ele não é um atleta de ponta. É um cara que corre bem e decidiu correr a maratona. Não estou fazendo pouco caso, pelo contrário. O que eu estou dizendo é que ele não sofreu tanto na preparação porque queria ganhar a maratona. Queria correr a maratona, oq já exige muito esforço. No caso dos alunos, não estamos falando de ser o 01. Estamos falando de ser aprovado.
Antes de começar a preparação, o Pinho jogava futebol com a galera na educação física. Meses antes da prova, quando começou a se preparar realmente, ele parou de jogar. O futebol é um esporte de impacto, e isto poderia causar alguma lesão que atrapalhasse o treinamento. Mesmo gostando de jogar futebol, foi necessário que ele parasse, visando o objetivo da maratona.
Aprendizado 1: Por mais que algumas atividades te dêem prazer, pode ser necessário que vc abra mão, em prol do objetivo final.
Como já disse, ele começou a treinar meses antes da prova. Lembro de um sábado de manhã, chovendo, em que estava saindo de casa para ir dar aula e encontrei com ele. Eram 7:30 de sábado, e ele já estava terminando a corrida. Corria durante os horários de educação física e mais 3x por semana de noite, seguindo um grupo conduzido por um instrutor. Corria de noite e nos fins de semana, em diferentes tipos de esforço (corridas em terrenos planos, em ladeiras, com ritmo mais cadenciado, com ritmo mais puxado, etc.). Este instrutor, além de acompanhar as corridas, orientava sobre alimentação, jeito de pisar, tênis adequado, etc..
Aprendizado 2: A preparação não começa na véspera da prova. Começa muito tempo antes. E é mais bem aproveitada se for conduzida e acompanhada por um profissional que tenha experiência no assunto. Por isso, é importante que o candidato faça um curso, focado no concurso que ele deseja.
O Pinho é casado e tem duas filhinhas pequenas. Obviamente, todo esse treinamento exigiu que ele abrisse mão de muitas horas com a família. Durante os meses de preparação, ele dividiu o tempo entre a família, o trabalho e o grupo de treinamento. No caso do candidato, ele passa mais tempo no curso do que em casa, com a família ou com a namorada(o).
Aprendizado 3: Não é nenhum crime vc abrir mão de tempo com a sua família para se dedicar ao seu objetivo. Pelo contrário, isto é necessário. Mas também é importante dosar esta carga, para não enlouquecer... hehehe
Durante o treinamento, houve corridas longas. Nenhuma tão longa quanto a prova real, de 42 km. Neste ponto, o curso preparatório é diferente do grupo de corrida do Pinho. Num curso, o treinamento é feito para níveis acima da prova. Ou seja, a idéia é que o candidato não seja surpreendido na hora do "vamos ver". Mas na maratona, aconteceu isso. A maior distância percorrida nos treinamentos era menor do que a distância da prova valendo. Logo, na prova, chegou uma hora em que o corredor não sabia mais oq esperar. Ele não tinha treinado aquilo. Para um candidato, isso é muito perigoso. Quase mortal. Evite isso com todas as suas forças. Como? Treinando muito e melhor, sempre.
Aprendizado 4: Treine com o máximo de intensidade e exigência. A hora da prova não é hora de surpresas.
Ele me disse que durante a prova, sentiu vontade de parar algumas vezes, para descansar. Mas ele sabia que, se parasse, não voltaria a correr depois. Por isso, continuou correndo. Até pra terminar com aquele sofrimento o mais rápido possível... hehehe
Aprendizado 5: Se estiver cansado, morrendo, diminua o ritmo. Mas não pare!
Para o Pinho, a sensação de terminar a prova deve ter sido fantástica. Ver todo o seu esforço recompensado. Ele fez a prova com um excelente tempo para atletas amadores: 3 horas e 24 minutos. É isso mesmo que vc leu. 3 horas e meia correndo. E isso é um tempo mto bom! Sem dúvidas, o resto de domingo e a segunda-feira foram de dores. Mas com aquela sensação do dever cumprido. Quando o candidato sai de uma prova do IME ou do ITA, ele sai sugado. Doído. Mas, se tudo correu como planejado, ele sai feliz. Eu, pessoalmente, não gosto de correr. Mas adoro a sensação do pós-corrida. Ultimamente, no meu ritmo iniciante, tenho corrido 9 ou 10 km 2x por semana. Mas posso dizer com mais experiência sobre o concurso. A sensação do dever cumprido é incomparável. Por mais que tenha sido cansativo e extenuante todo o processo.
Aprendizado 6: A sensação no fim de tudo vale a pena. Mesmo que vc não tenha atingido seu objetivo, a sensação será boa se vc tiver se dedicado com o máximo de suas forças. Mas confie: fazendo tudo direitinho, seu objetivo vai ser alcançado!
E, pra finalizar, um último aprendizado: por mais que a maratona seja longa, ela é cumprida com um passo após o outro.
Um ótimo final de semana a todos. E lembrem-se: Um passo de cada vez, sem parar.
Beijomeliga.
domingo, 18 de julho de 2010
Semana de recesso
Meus queridos,
em primeiro lugar, quero pedir desculpas a todos pelo atraso na postagem desta semana. Ele aconteceu por conta de uma correria louca na minha vida, que deve diminuir em pouco tempo com a conclusão de um projeto. Em breve, vocês terão novidades.
Respondendo sobre os questionamentos de alguns dos meus alunos sobre oq fazer na semana de recesso, divido as sugestões para dois grupos de alunos: aqueles que têm como principal objetivo IME, ITA ou EN; e aqueles que têm como principal objetivo a AFA ou a EFOMM.
Para o primeiro grupo, como ainda temos um tempo considerável até o concurso, não vejo problemas em dar uma descansada. Mas descansada curta, coisa de dois ou três dias de forma relaxada, com pouco ou nenhum tempo de estudo. Até pra aliviar um pouco o stress, sair, etc.. Também não é pra cagar a semana toda, pq vc vai sentir diferença quando voltar ao batente.
Para o segundo grupo, eu nem pensaria em descansar agora. Faltando cerca de 20 dias para os concursos, parar um pouco que seja já pode ser muito ruim. Estamos naquela fase em que as turbinas estão ligadas, motores na potência máxima, não faz sentido diminuir a velocidade faltando tão pouco para o objetivo. Deixa pra descansar depois.
Mas uma coisa é importante para os dois grupos: não percam o foco. Mantenham seus objetivos na mira, pq assim é menos difícil alcançá-los.
Uma ótima semana a todos.
Beijomeliga!
em primeiro lugar, quero pedir desculpas a todos pelo atraso na postagem desta semana. Ele aconteceu por conta de uma correria louca na minha vida, que deve diminuir em pouco tempo com a conclusão de um projeto. Em breve, vocês terão novidades.
Respondendo sobre os questionamentos de alguns dos meus alunos sobre oq fazer na semana de recesso, divido as sugestões para dois grupos de alunos: aqueles que têm como principal objetivo IME, ITA ou EN; e aqueles que têm como principal objetivo a AFA ou a EFOMM.
Para o primeiro grupo, como ainda temos um tempo considerável até o concurso, não vejo problemas em dar uma descansada. Mas descansada curta, coisa de dois ou três dias de forma relaxada, com pouco ou nenhum tempo de estudo. Até pra aliviar um pouco o stress, sair, etc.. Também não é pra cagar a semana toda, pq vc vai sentir diferença quando voltar ao batente.
Para o segundo grupo, eu nem pensaria em descansar agora. Faltando cerca de 20 dias para os concursos, parar um pouco que seja já pode ser muito ruim. Estamos naquela fase em que as turbinas estão ligadas, motores na potência máxima, não faz sentido diminuir a velocidade faltando tão pouco para o objetivo. Deixa pra descansar depois.
Mas uma coisa é importante para os dois grupos: não percam o foco. Mantenham seus objetivos na mira, pq assim é menos difícil alcançá-los.
Uma ótima semana a todos.
Beijomeliga!
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Pensando na carreira
Meus queridos,
antes de começar o post propriamente dito, quero mais uma vez agradecer a todos os companheiros que responderam as entrevistas, oferecendo sua contribuição para ajudar vocês, candidatos. Prometo que farei um post sobre as amizades, mais pra frente.
Depois de tanto tempo sem escrever textos pra vcs (só colocando as entrevistas), estava com saudades de chegar aqui e bater um papo. O post de hoje pode ficar muito abrangente, já que pensar na carreira envolve diversas variáveis: afinidades, vontades, mercado de trabalho, dinheiro, aposentadoria, etc..
Muitas vezes, eu recebo perguntas do tipo "Professor, vale a pena fazer tal concurso?". Minha resposta sempre é "Valer a pena é uma avaliação totalmente pessoal, não posso responder por vc.". O que pra mim é uma coisa natural, pra vcs pode não ser. Por exemplo: existem homens que odeiam cortar o cabelo. Preferem que o cabelo esteja na altura do ombro. Pra esses caras, ser militar vai ser muito ruim, já que eles terão que cortar o cabelo periodicamente. Pra mim, cortar o cabelo frequentemente é normal. Por isso, é importante vcs pensarem no que pretendem fazer daqui a muito tempo.
Normalmente, quando o aluno está numa turma IME/ITA, ele faz 5 concursos principais: EFOMM, EN, AFA, IME e ITA. Quando rola a pergunta sobre qual é o objetivo, o cara responde "vou para onde eu passar". Está certo, mas é legal ter uma preferência. Preferência não significa escolha definitiva. Vc pode preferir um e escolher outro na hora da decisão. Mas a preferência é legal, até pra vc ter idéia de como estudar. Nesta fase, o candidato precisa ter uma idéia de qual concurso é a primeira opção, qual é a segunda opção, e assim sucessivamente. Para um cara que odeia mar e viagens, a EFOMM não deve ser a melhor escolha. Para um cara que não quer ser militar de forma alguma, EN e AFA não são as mais indicadas. Se o cara não gosta de provas discursivas e prefere bizus a demonstrações, não deve ser muito legal escolher o IME ou o ITA. Essas análises devem ser feitas por vocês mesmos. A única coisa que eu peço desesperadamente a cada um de vcs: Não leve em conta apenas o salário depois de formado! Por favor! O dinheiro é um item na análise, mas é APENAS um item, não é O item. Eu sei que não é oq vc ouve por aí, mas eu acredito com todas as minhas forças nisso: dinheiro é conseqüência, não é causa. Se vc for um bom profissional, seu salário vai ser bom. É conseqüência. Pra ser um bom profissional, vc precisa gostar do que faz.
Se a escolha for o IME ou o ITA, ainda rola mais uma mega dúvida: ATIVA ou RESERVA?
Sem falar na escolha de qual engenharia seguir. É muita escolha junta! hahahaha
Bem, no IME, pelo menos, a escolha da engenharia não é no vestibular, e sim no início do 3° ano. Isso já ajuda, pq em 2 anos dá pra conhecer o sistema lá dentro, ver oq mais se encaixa no objetivo pessoal de cada um.
Sobre a dúvida "ativa ou reserva", a análise já precisa ser um pouco mais cuidadosa. Em primeiro lugar, pense em como vc imagina sua vida num horizonte de 15 anos. Se vc não se imagina cortando o cabelo periodicamente, fazendo a barba todos os dias, mantendo alguma atividade física e engraxando seu sapato, não escolha a Ativa. SIM! Isto será cobrado de vc, se vc for militar. Porém, existe um problema escondido nessa região da conversa: no mercado de trabalho, existem regras não escritas sobre alguns itens desses. Na hora de entrevista de emprego, é recomendado q o candidato vá apresentável. Um sapato sujo ou uma barba por fazer podem causar um aspecto bastante ruim. E o problema é que isso não está escrito. Nas Forças Armadas, pelo menos, está escrito que vc tem que fazer.
Já ouvi de alguns alunos que eles preferiam a Reserva pq não gostavam de cumprir ordens. Se vc não gosta de cumprir ordens, vc vai ter problemas tanto na Ativa como na Reserva. Talvez até mais na Reserva, já que seu chefe vai poder te demitir. É ilusão achar que o mercado de trabalho é bonzinho e vai entender sua personalidade excêntrica. Sai dessa! O chefe mandou fazer alguma coisa, vc não a fez, prepare-se. Isto ocorre tanto nas Forças Armadas como no mercado profissional civil. Lembro de uma vez que ouvi de um amigo, que trabalha em uma empresa grande na área de Computação, a história de um funcionário que não cumpriu alguns prazos dados pelo chefe. No meio do corredor, o chefe cobra o funcionário, e este responde que as tarefas eram muitas, era impossível fazer td no prazo certo. O chefe respondeu: "Já jogou Banco Imobiliário? Vc caiu no meu hotel no Morumbi. Custa 2 mil. O que vc faz?". O funcionário respondeu: "Tenho que pagar.". E o chefe completou: "Paga ou sai do jogo!". Eu não gostaria de ouvir isso.
Em compensação, a Reserva te oferece muitas oportunidades de salários melhores e viagens pelo mundo, coisas que as Forças Armadas dificilmente poderão oferecer. O salário dos militares é bom, mas não é compatível com o nível de conhecimento de um engenheiro formado no IME ou no ITA. Logo, se vc quer ser rico com o salário, não é na Ativa que vai conseguir. Porém, hj em dia existem algumas maneiras de se ganhar dinheiro sem ser com o salário propriamente dito. A Bolsa de Valores está acessível a todos que tenham acesso à internet. Nada impede que vc seja militar e opere na Bolsa. Existe até o caso de um ex-instrutor do IME (não é formado no IME, ele é de AMAN), que acumulou 1 milhão de reais e pediu demissão do EB. Como eu disse antes, o dinheiro é importante, mas não é o único item a ser analisado. Conheço casos de colegas que ganham mais do que eu e são infelizes. Lembram com saudades da época do IME, com o salário de aluno (uma ajuda de custo), mas onde eram cercados de pessoas capazes e se sentiam produtivos. Ouvi ontem o caso de um cara que saiu da fábrica onde eu trabalho para a Polícia Federal. Ele dizia que sentia muitas saudades da época da fábrica, mesmo ganhando pouco (salário de militar). Dizia que foi a melhor época da vida dele. Ouvi de um amigo-irmão também a confissão que não se sentia valorizado na empresa onde trabalhava, pq embora ganhasse bem, todos os outros membros da equipe ganhavam mais que ele. Sendo que ele era notadamente o mais capaz. Ele sentia saudades da época em que estava no IME, onde aquele grupinho de amigos era sinistro e cumpria todas as missões. Ou seja, gente capaz reunida. Ali ele se sentia bem. Junto com pessoas inteligentes e interessadas. Não se sentia bem no meio de gente que ganhava bem e não cumpria as missões.
Por último: não escolha entre Ativa e Reserva baseado no número de vagas. "Este ano a Ativa tem tantas vagas a mais que a Reserva. Logo, vou escolher Ativa pq é mais fácil passar." Isto é ilusão. Vai passar quem estiver melhor preparado. Logo, prepare-se. Seja na Ativa ou na Reserva.
Vou ficando por aqui... aguardo sugestões de assuntos para a semana que vem. O blog foi feito para vocês, participem.
Boa semana a todos!
Beijomeliga.
antes de começar o post propriamente dito, quero mais uma vez agradecer a todos os companheiros que responderam as entrevistas, oferecendo sua contribuição para ajudar vocês, candidatos. Prometo que farei um post sobre as amizades, mais pra frente.
Depois de tanto tempo sem escrever textos pra vcs (só colocando as entrevistas), estava com saudades de chegar aqui e bater um papo. O post de hoje pode ficar muito abrangente, já que pensar na carreira envolve diversas variáveis: afinidades, vontades, mercado de trabalho, dinheiro, aposentadoria, etc..
Muitas vezes, eu recebo perguntas do tipo "Professor, vale a pena fazer tal concurso?". Minha resposta sempre é "Valer a pena é uma avaliação totalmente pessoal, não posso responder por vc.". O que pra mim é uma coisa natural, pra vcs pode não ser. Por exemplo: existem homens que odeiam cortar o cabelo. Preferem que o cabelo esteja na altura do ombro. Pra esses caras, ser militar vai ser muito ruim, já que eles terão que cortar o cabelo periodicamente. Pra mim, cortar o cabelo frequentemente é normal. Por isso, é importante vcs pensarem no que pretendem fazer daqui a muito tempo.
Normalmente, quando o aluno está numa turma IME/ITA, ele faz 5 concursos principais: EFOMM, EN, AFA, IME e ITA. Quando rola a pergunta sobre qual é o objetivo, o cara responde "vou para onde eu passar". Está certo, mas é legal ter uma preferência. Preferência não significa escolha definitiva. Vc pode preferir um e escolher outro na hora da decisão. Mas a preferência é legal, até pra vc ter idéia de como estudar. Nesta fase, o candidato precisa ter uma idéia de qual concurso é a primeira opção, qual é a segunda opção, e assim sucessivamente. Para um cara que odeia mar e viagens, a EFOMM não deve ser a melhor escolha. Para um cara que não quer ser militar de forma alguma, EN e AFA não são as mais indicadas. Se o cara não gosta de provas discursivas e prefere bizus a demonstrações, não deve ser muito legal escolher o IME ou o ITA. Essas análises devem ser feitas por vocês mesmos. A única coisa que eu peço desesperadamente a cada um de vcs: Não leve em conta apenas o salário depois de formado! Por favor! O dinheiro é um item na análise, mas é APENAS um item, não é O item. Eu sei que não é oq vc ouve por aí, mas eu acredito com todas as minhas forças nisso: dinheiro é conseqüência, não é causa. Se vc for um bom profissional, seu salário vai ser bom. É conseqüência. Pra ser um bom profissional, vc precisa gostar do que faz.
Se a escolha for o IME ou o ITA, ainda rola mais uma mega dúvida: ATIVA ou RESERVA?
Sem falar na escolha de qual engenharia seguir. É muita escolha junta! hahahaha
Bem, no IME, pelo menos, a escolha da engenharia não é no vestibular, e sim no início do 3° ano. Isso já ajuda, pq em 2 anos dá pra conhecer o sistema lá dentro, ver oq mais se encaixa no objetivo pessoal de cada um.
Sobre a dúvida "ativa ou reserva", a análise já precisa ser um pouco mais cuidadosa. Em primeiro lugar, pense em como vc imagina sua vida num horizonte de 15 anos. Se vc não se imagina cortando o cabelo periodicamente, fazendo a barba todos os dias, mantendo alguma atividade física e engraxando seu sapato, não escolha a Ativa. SIM! Isto será cobrado de vc, se vc for militar. Porém, existe um problema escondido nessa região da conversa: no mercado de trabalho, existem regras não escritas sobre alguns itens desses. Na hora de entrevista de emprego, é recomendado q o candidato vá apresentável. Um sapato sujo ou uma barba por fazer podem causar um aspecto bastante ruim. E o problema é que isso não está escrito. Nas Forças Armadas, pelo menos, está escrito que vc tem que fazer.
Já ouvi de alguns alunos que eles preferiam a Reserva pq não gostavam de cumprir ordens. Se vc não gosta de cumprir ordens, vc vai ter problemas tanto na Ativa como na Reserva. Talvez até mais na Reserva, já que seu chefe vai poder te demitir. É ilusão achar que o mercado de trabalho é bonzinho e vai entender sua personalidade excêntrica. Sai dessa! O chefe mandou fazer alguma coisa, vc não a fez, prepare-se. Isto ocorre tanto nas Forças Armadas como no mercado profissional civil. Lembro de uma vez que ouvi de um amigo, que trabalha em uma empresa grande na área de Computação, a história de um funcionário que não cumpriu alguns prazos dados pelo chefe. No meio do corredor, o chefe cobra o funcionário, e este responde que as tarefas eram muitas, era impossível fazer td no prazo certo. O chefe respondeu: "Já jogou Banco Imobiliário? Vc caiu no meu hotel no Morumbi. Custa 2 mil. O que vc faz?". O funcionário respondeu: "Tenho que pagar.". E o chefe completou: "Paga ou sai do jogo!". Eu não gostaria de ouvir isso.
Em compensação, a Reserva te oferece muitas oportunidades de salários melhores e viagens pelo mundo, coisas que as Forças Armadas dificilmente poderão oferecer. O salário dos militares é bom, mas não é compatível com o nível de conhecimento de um engenheiro formado no IME ou no ITA. Logo, se vc quer ser rico com o salário, não é na Ativa que vai conseguir. Porém, hj em dia existem algumas maneiras de se ganhar dinheiro sem ser com o salário propriamente dito. A Bolsa de Valores está acessível a todos que tenham acesso à internet. Nada impede que vc seja militar e opere na Bolsa. Existe até o caso de um ex-instrutor do IME (não é formado no IME, ele é de AMAN), que acumulou 1 milhão de reais e pediu demissão do EB. Como eu disse antes, o dinheiro é importante, mas não é o único item a ser analisado. Conheço casos de colegas que ganham mais do que eu e são infelizes. Lembram com saudades da época do IME, com o salário de aluno (uma ajuda de custo), mas onde eram cercados de pessoas capazes e se sentiam produtivos. Ouvi ontem o caso de um cara que saiu da fábrica onde eu trabalho para a Polícia Federal. Ele dizia que sentia muitas saudades da época da fábrica, mesmo ganhando pouco (salário de militar). Dizia que foi a melhor época da vida dele. Ouvi de um amigo-irmão também a confissão que não se sentia valorizado na empresa onde trabalhava, pq embora ganhasse bem, todos os outros membros da equipe ganhavam mais que ele. Sendo que ele era notadamente o mais capaz. Ele sentia saudades da época em que estava no IME, onde aquele grupinho de amigos era sinistro e cumpria todas as missões. Ou seja, gente capaz reunida. Ali ele se sentia bem. Junto com pessoas inteligentes e interessadas. Não se sentia bem no meio de gente que ganhava bem e não cumpria as missões.
Por último: não escolha entre Ativa e Reserva baseado no número de vagas. "Este ano a Ativa tem tantas vagas a mais que a Reserva. Logo, vou escolher Ativa pq é mais fácil passar." Isto é ilusão. Vai passar quem estiver melhor preparado. Logo, prepare-se. Seja na Ativa ou na Reserva.
Vou ficando por aqui... aguardo sugestões de assuntos para a semana que vem. O blog foi feito para vocês, participem.
Boa semana a todos!
Beijomeliga.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Projeto H2A Entrevista: ITA Reserva
Meus queridos,
hoje temos o último dia de entrevistas de 2010. Finalmente chegamos ao final! A partir de semana que vem, voltamos ao processo normal de conversas semanais... hehehe
Hoje temos a entrevista de 3 engenheiros optantes pela carreira da Reserva do ITA. Agradeço mais uma vez aos entrevistados, pela atenção e pelo carinho de cederem seu precioso tempo para responder a essas perguntas.
Muito obrigado!
Vamos ao que interessa.
Beijomeliga.

Entrevistados: Marcos Arruda (não é meu parente! hahaha), Daniel Saraiva e Halyson Valadão.
1. Qual a sua turma de formação e sua especialidade?
Marcos: Turma 2001. Engenharia de Infra-Estrutura Aeronáutica.
Daniel: 2003-Mecânica de Aeronáutica
Halyson: Formei como civil pelo ITA no fim de 2007 em Engenharia Aeronáutica.
2. Onde trabalha atualmente (cidade e unidade)? Em que função?
Marcos: Rio de Janeiro – RJ. Sou sócio de uma gestora de fundos de investimento chamada Murano Investimentos, focada na gestão de fundos quantitativos (fundos em que as estratégias de operação em renda variável possuem embasamento 100% matemático e estatístico). Dentre as minhas atividades, pode-se citar a pesquisa, desenvolvimento e implementação de novos modelos automáticos ou semi-automáticos computacionais para operar nas bolsas de valores, que buscam detectar, com base em dados históricos e testes realizados com estes dados, oportunidades de ganho de capital.
Daniel: São Paulo. Sou broker de opções de juros.
Halyson: Atualmente trabalho no Rio de Janeiro, como Especialista em Aviação na Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC.
3. Está satisfeito com seu trabalho? Acha que o seu aprendizado durante a formação está sendo realmente empregado na sua vida profissional?
Marcos: Sim, estou bastante satisfeito. O trabalho é pesado e bastante desafiador, mas extremamente satisfatório. Pode-se dizer que o aprendizado acadêmico me ajuda mais indiretamente do que diretamente. Ou seja, meu trabalho não tem nada a ver com engenharia. Contudo, toda a base matemática que adquiri durante a universidade e toda a capacidade de estudar, se virar e correr atrás que temos que desenvolver para conseguir se manter numa universidade como o ITA sem dúvida me ajudam muito profissionalmente.
Daniel: Estou satisfeito e minha formação contribui bastante para a qualidade do meu trabalho. Contudo, é preciso ter consciência de que sua formação acadêmica busca ampliar suas oportunidades e não restringi-las. Aplicar ou não seus conhecimentos vem da sabedoria de cada um.
Halyson: Sim, o trabalho é muito bom, e tem tudo haver com minha área de formação.
4. Em uma escala de 0 a 10, onde 0 é “nada satisfeito” e 10 é “totalmente satisfeito”, como você classificaria a sua situação em relação ao seu salário?
Marcos: Nota 8. Meu salário médio (digo médio porque os dividendos da empresa são variáveis de acordo com a performance dos fundos geridos) é bastante satisfatório e sem dúvida acima da média de mercado das pessoas da minha faixa etária, mas nossa empresa tem apenas 2 anos e muito espaço para crescer, o que me faz crer que ainda é possível receber proventos bem mais polpudos do que os que recebo hoje. Contudo, minha situação financeira é bem confortável e me permite ter uma vida sem grandes preocupações.
Daniel: Infelizmente, suas expectativas mudam com uma frequencia enorme. Você nunca vai estar satisfeito. Hoje você quer ganhar 10, amanhã 5 ou 15, e são pouquíssimas as felizes pessoas satisfeitas no mundo corporativo. Evite ao máximo tomar decisões baseadas numa “variável extremamente variável”.
Halyson: Nota 9, afinal sempre tem o que melhorar, rs.
5. Você viaja muito a trabalho? Acha isso bom ou ruim?
Marcos: Não viajo. É possível e até provável que exista a necessidade de viajar, dado o tipo de negócio, contudo existem outros sócios da empresa mais ligados à parte comercial que fazem as viagens para visitar investidores, corretores, etc..
Daniel: Viajo bastante a trabalho para visitar clientes. Viajar é sempre bom, mas fica cada vez mais penoso viajar com alguém que você gosta te esperando.
Halyson: Sim, há muitas missões em outras localidades, inclusive no exterior. É bom porque demanda responsabilidade e permite compartilhar conhecimento, apesar de ser cansativo.
6. Qual é a razão pela qual escolheram a sua escola de formação? Era sua primeira opção?
Marcos: Sempre fui um dos melhores alunos da minha escola. E sempre tive a intenção de cursar engenharia. Minha opção pelo ITA veio da vontade de prestar vestibular para as melhores universidades de engenharia do país. Assim, prestei vestibular para o IME, ITA, USP, UNICAMP. Mas minha primeira opção sempre foi o ITA, que eu julgava ser a melhor dentre estas.
Daniel: Eu sempre busquei excelência, por isso prestei vestibular para as faculdades mais prestigiadas. O ITA foi minha primeira opção.
Halyson: Minha primeira opção era o IME, como militar. Cogitei nem me inscrever para o vestibular do ITA, mas meu pai insistiu bastante, até preencheu a ficha de inscrição por mim. Serei sempre grato à insistência dele.
7. Você fez cursinho? Quantos anos?
Marcos: Fiz um curso que nem existe mais, na Tijuca, no Rio de Janeiro – RJ. Na época era o curso que mais aprovava no IME e no ITA no Brasil (fiz o curso em 1995). Fiz apenas 1 ano de curso (que na verdade foi o meu último ano do ensino médio).
Daniel: Fiz 1 ano de cursinho com o Humberto. Ensinei ele a jogar bola.
Halyson: Fiz cursinho durante o 3º ano, na primeira vez em que prestei vestibular para o ITA. No ano seguinte tive que estudar por conta própria, pois já cursava Engenharia da Computação na Universidade Federal do Espírito Santo – UFES.
8. Você costumava sair no ano do concurso? Como era sua vida social?
Marcos: Nesse ano eu tinha 16/17 anos. Minha vida social prévia era tão agitada quanto pode ser a de um adolescente dessa idade (ou seja, muito pouco). O que posso dizer é que foi um ano de muito foco e muito sacrifício. Mesmo levando-se em conta que nessa idade eu praticamente não saía à noite, mesmo minha vida social diurna sofreu sérias restrições. Coloquei na cabeça que ia passar para o ITA e não me incomodei em passar 1 ano estudando de domingo a domingo para atingir meu objetivo. Passei muito tempo sem sair com amigos, ser ir ao cinema ou ao teatro. Mas valeu a pena.
Daniel: Minha prioridade sempre foi estudar no cursinho. Eu costumava ir para academia a noite, jogar bola e praia de vez em quando. Ajuda bastante.
Halyson: Quase nada. Eu nunca tive disciplina para estudar, mas no colégio era mais fácil se sair bem porque era possível estudar de véspera e as matérias de cada prova eram curtas, mais simples. No vestibular a história é outra, então tive que aprender a ter disciplina. Isso não foi nem um pouco fácil.
9. O que você não gostou dentro da sua escola de formação?
Marcos: O ITA é uma universidade como outra qualquer (dentre as boas universidades de engenharia do país). Não vá para lá achando que o ITA é diferenciado pelo ENSINO que proporciona. Não é verdade. O que diferencia o ITA são os alunos que vão estudar lá. O ITA tem a característica de concentrar algumas das cabeças mais brilhantes do país em áreas exatas. Contudo, algumas dessas pessoas são completamente fanáticas e fazem daquilo uma religião, e não uma universidade. Agem como se tivessem sido escolhidos por uma força divina para ter o privilégio de estar lá. Arrogantes e fanáticos. Uma dica que posso dar é: a universidade (seja ela o IME, o ITA ou outra qualquer) é apenas uma PARTE da sua vida. Ela não É a sua vida. Também nunca apreciei o fato das notas lá serem dadas na base de conceitos (por exemplo, o conceito ‘R’ significa que sua nota pode estar entre 6.5 e 7.4). Isto dava margem ao professores manipularem sua nota verdadeira de acordo com motivos pessoais e nem sempre justos, pois você só fica sabendo o conceito que tirou nas provas.
Daniel: Com certeza do peixe do refeitório. Foi quase traumático.
Halyson: Gostaria que a grade curricular fosse mais flexível, que houvesse mais espaço para que o aluno escolhesse mais as cadeiras e direcionasse melhor sua formação. Especialmente durante o curso profissional, poderia haver mais matérias optativas.
10. Como é a cobrança de treinamento físico durante o curso de formação? As provas físicas valem para a nota final?
Marcos: No ITA? Zero. Não existe nenhum tipo de cobrança de treinamento físico, nem mesmo para os alunos militares. O militarismo lá, mesmo para os que fazem a opção pela carreira militar, é BEM light.
Daniel: Não é pesado, mas tem importância para sua avaliação como militar, o que é completamente separado da sua avaliação acadêmica.
Halyson: Quase não há atividade física, exceto por algumas atividades recreativas que não influem em nada na nota. Ninguém deve se preocupar com isso, especialmente quem ainda vai realizar a prova.
11. Muitos alunos ficam reprovados durante o curso? Lá dentro, pode repetir uma matéria ou o ano?
Marcos: Sim, ao longo dos anos muita gente vai ficando pelo caminho, infelizmente. Eu diria que 1/3 da turma que entrou não se forma (entravam 120 e se formavam cerca de 80, na minha época). O esquema de notas no ITA é bem rígido. Funciona assim: as cadeiras são semestrais. A média para passar é 6.5. Um conceito ‘I’ representa uma nota entre 5.0 e 6.4 (insuficiente). Um conceito ‘D’ representa uma nota entre 0.0 e 4.9 (deficiente). Num determinado semestre, se você terminar uma ou duas disciplinas com conceito ‘I’, você terá de fazer segunda época (uma prova final) dessas disciplinas. Na segunda época, o cálculo da sua média final é feito pela média aritmética entre sua média semestral e sua nota na segunda época. Esta média final tem que ser igual ou superior a 6.5. Contudo, se você tirar uma nota entre aquela que você precisa para que sua média final seja exatamente 6.5 e 8.4, você passa na disciplina, mas fica com uma nota ‘I’ marcada no seu histórico escolar. Se tirar uma nota superior a 8.4, você passa na disciplina e se livra de ficar com o ‘I’ no histórico. Ao longo de todos os 5 anos de curso, você só pode ter 5 ‘I’s no seu histórico. No sexto, é desligado. Se você tirar menos do que a nota que precisa na segunda época em alguma disciplina, é trancado por nota. Se você terminar uma disciplina com média semestral ‘D’, é automaticamente reprovado na disciplina e terá que fazer dependência (repetir somente aquela disciplina, no ano seguinte, junto com a turma de baixo). E, obviamente, fica com um ‘I’ marcado no seu histórico para aquela disciplina. Se ficar com média semestral ‘D’ em mais de uma disciplina, é automaticamente trancado por nota. O trancamento significa passar 6 meses em casa e voltar com a turma seguinte para repetir o semestre. Ao longo dos 5 anos de curso, você só pode ser trancado por nota uma única vez. Barra pesada!
Daniel: Existem casos de pessoas que trancaram por dois anos. Você não pode repetir nenhuma matéria, existem dependências no máximo. Como se fossem recuperação no ginásio.
Halyson: Se você comparar com outros cursos de engenharia, verá que o percentual de alunos que conclui o ITA é bastante elevado. A turma 2007 começou com 134 alunos e se formaram 126 ao final daquele ano. Muitos trancam alguma vez durante o curso, por motivos diversos, mas pouquíssimos são aqueles desligados por nota.
É possível trancar o curso duas vezes, sendo uma delas por saúde. A rigidez da grade curricular não permite que matérias sejam cursadas em outros períodos, mas a reprovação em uma única matéria permite que esta seja cursada no ano seguinte, paralelamente ao curso.
12. Muitos alunos desistem durante o curso?
Marcos: Desistir mesmo, mais no início do curso, no primeiro ano. Depois, é difícil ver gente desistindo do curso sem ter sido desligado.
Daniel: Absolutamente não.
Halyson: O número é baixo. A desistência é mais comum no primeiro mês, porque às vezes a pessoa é aprovada em outra instituição, mais perto de casa, e acaba optando por não ficar no ITA. No decorrer do curso é raro alguém desistir.
13. Durante a formação no ITA, você estudou mais ou menos do que para passar no concurso?
Marcos: O estudo durante o ITA é mais disperso. Ou seja, no final das contas você acaba agindo como é de praxe em qualquer universidade e estudando pra valer apenas quando as provas estão próximas (o famoso estudo de véspera). Durante o ano de cursinho, o estudo era mais intenso, mais concentrado, ao menos para mim. No ITA foi muito mais fácil ter uma vida social normal do que no ano de cursinho.
Daniel: A qualidade do ensino é impressionante, contudo sua capacidade de se organizar diminui bastante no período da faculdade. Dado que a exigência é alta na faculdade, acaba se tornando cada vez mais difícil você manter o mesmo nível de notas no decorrer do curso. Parece que você estuda mais, mas é apenas falta de organização.
Halyson: Geralmente, estuda-se mais no ITA do que para entrar nele, porque o ITA é bastante rígido e poucos deslizes podem resultar num trancamento ou mesmo desligamento; assim, cada prova é decisiva.
14. Como é a vida na faculdade, as relações entre seus colegas, os estudos, as responsabilidades?
Marcos: O ITA desperta os sentimentos mais diversos nos seus alunos. Eu particularmente, não gostava de estar lá. Sou carioca, e torcia arduamente para que o fim-de-semana chegasse logo para poder voltar para o Rio. São José dos Campos não é uma cidade com muitos atrativos, e era menos ainda há mais de 10 anos, quando eu estava lá. Morar em alojamento com colegas e amigos é uma experiência única, extremamente válida e construtiva. Você amadurece, aprende a cuidar da sua vida, a organizar suas tarefas e a controlar seu tempo. Se não aprende, acaba sendo desligado. Morar com as mesmas pessoas durante 5 anos faz com que você desenvolva algumas amizades (mesmo que poucas) muito fortes, bem mais fortes do que se você não convivesse diariamente com estas pessoas. Você precisa se encontrar, descobrir como se adaptar àquela vida paradoxal de liberdade total aliada a um esquema pesado de estudos. Ou seja, você está num lugar, com 19, 20 anos, morando com amigos, longe dos seus pais, o que poderia significar um passaporte para uma vida de festas, viagens, farra. Mas você precisa saber conciliar esta rotina boêmia com as responsabilidades que te cercam se quiser se formar.
Daniel: Foi uma das grandes experiências de minha vida. Principalmente as amizades. A maioria das suas responsabilidades pode ser atrelada aos estudos. O que pode deixar seu dia a dia mais agitado é o comprometimento com as mais diversas iniciativas da faculdade, sejam acadêmicas, esportivas, estágios, filantrópicas ou socias.
Halyson: A vida no ITA é muito mais divertida do que pode parecer. A interação entre as pessoas que vivem no alojamento é intensa, cada um de uma parte do Brasil. É uma oportunidade única de entrar em contato com a cultura brasileira, mas principalmente uma chance de desenvolver amizades verdadeiras, que durarão por toda a vida.
O espírito coletivo é muito forte no ITA, e isso se reflete na maneira como se estuda para as provas: a maioria prefere estudar em grupo, o que faz com que todos cresçam juntos. Também no cotidiano o coletivo prevalece sobre o indivíduo. Os apartamentos são para até seis pessoas, e todos devem aprender a dividir, a buscar consenso.
15. Como é estar longe de casa e não ter pai nem mãe pra fazer as coisas pra você?
Marcos: Nada demais. A gente aprende a se virar. E tem que aprender, mesmo. É um preparo extra-acadêmico para o mundo lá fora, para a vida adulta e séria. É preciso saber se organizar, e para tarefas domésticas simples como faxina ou lavar roupa, existem pessoas autorizadas que podem ser contratadas para executá-las. Talvez muito mais importante do que alguém para fazer as coisas para você é a saudade que você sente dos seus pais, parentes em geral e amigos que eventualmente tenha na sua cidade natal. No meu caso, como eu voltava para o Rio quase todos os fins-de-semana, ainda era mais fácil. Mas para aqueles que voltavam para casa apenas 1 ou 2 vezes por ano, a barra era bem mais pesada. Mas é um sacrifício a se fazer em prol de um objetivo maior.
Daniel: É um aprendizado.
Halyson: Quando a necessidade aparece, cada um aprende a se virar. Além disso, no ITA contamos muito uns com os outros, então as coisas ficam mais fáceis.
16. Rola sempre aquela história de que o ITA é melhor que o IME. Você concorda ou discorda? Por quê?
Marcos: Como já mencionei anteriormente, eu acho que em termos de ensino tanto o ITA como o IME são ótimas faculdades, mas tão boas quanto uma UFRJ, USP ou UNICAMP, por exemplo. O que diferencia o IME e o ITA são os alunos. As pessoas que se propõem a cursar estas universidades e que se empenham o suficiente para conseguirem passar já são diferenciadas. Independentemente de inteligência, são pessoas que já mostraram seu valor pela disciplina, perseverança e força de vontade que possuem. Particularmente na comparação IME x ITA, é difícil dizer. Eu acho que o ITA é mais nacionalizado, ou seja, eu acho que há mais gente distribuída pelo Brasil se propondo a cursar o ITA do que o IME, que por sua vez, apesar de também ser uma universidade de repercussão nacional, concentra mais o público carioca. Pode ser que hoje não seja mais assim, mas na minha época era. Logo, na filtragem feita pelo vestibular, a impressão que dava era que o ITA concentrava mais alunos brilhantes que o IME. Outro fato (pontual) que dá algum respaldo a esta constatação é que na minha turma do cursinho, praticamente todos os melhores alunos da turma (que ficavam nas primeiras posições nos ciclos de provas), optaram pelo ITA. Mas realmente não dá pra ser conclusivo neste assunto. Eu tenho amigos formados na PUC ou na UFRJ que são hoje profissionais muito mais brilhantes e respeitados do que outros formados no IME ou no ITA. Então acho que uma lição que pode ser tirada de tudo isto é: o peso do diploma ajuda, principalmente para dar um pontapé inicial na vida profissional, mas o indivíduo vale muito mais que o seu diploma. Ao longo da sua carreira, é VOCÊ que vai mostrar o quão bom profissional você é, e o quanto você merece ser respeitado e valorizado.
Daniel: Eu acredito que o vestibular é um excelente instrumento para selecionar os grandes talentos do nosso país. ITA e IME têm fama por serem um dos mais difícies. Eu conheço apenas o ITA, mas tenho amigos brilhantes que cursaram o IME. Não consigo definir um ranking.
Halyson: Em termos de ensino, não acredito que um seja inferior ao outro. A diferença está no reconhecimento. Em São Paulo, por exemplo, o IME é pouco conhecido. Fala-se mais da Poli-USP, da Unicamp. É inegável que a fama do ITA ajuda a abrir portas, e isso é crucial para quem quer ser civil.
17. Como você fez para se manter após o primeiro ano de formação no ITA?
Marcos: Meus pais tinham condições de me dar uma mesada semanal que era suficiente para me manter.
Daniel: O ITA tem uma política agressiva de subsídio. A alimentação é de graça, a moradia é extremamente barata, o ensino é de graça, e todos seus gastos essenciais estão longe de ser um fator de preocupação. Existem bolsas, aulas particulares podem ser ministradas, os veteranos te passam a maior parte dos livros... Eu ganhava algo em torno de 200 reais da minha família.
Halyson: A família me ajudou nesse período. Também fui bolsista de iniciação científica. Uma das vantagens do ITA é que os custos para se manter lá são baixos, a alimentação é dada pela faculdade e o alojamento é barato.
18. A escolha entre as engenharias sempre gera dúvida. Qual foi o maior motivo de você ter escolhido a sua?
Marcos: Bem, quando entrei no ITA minha primeira opção, que foi aquela para a qual passei, era Engenharia de Computação. Escolhi este curso por pura afinidade. Sempre curti computadores e programação em geral. Cheguei a começar a cursar o primeiro ano profissional (terceiro ano de universidade) nessa especialidade. Mas tive uma certa decepção com o currículo (que ao menos na minha época incluía tantas ou mais cadeiras de Engenharia Eletrônica do que cadeiras ligadas a desenvolvimento de software, que era o que eu realmente gostava), e acabei trocando pela Engenharia de Infra-Estrutura Aeronáutica (leia-se, Engenharia Civil). A opção por esta especialidade foi mais uma falta de opção do que uma opção feita de forma consciente e convicta. Como o ITA possui apenas 5 especialidades de engenharia, eu acabei optando pela que imaginei ter mais afinidade dentre as que restaram.
Daniel: Não se preocupe com isso. Eu até hoje não sei qual teria sido a melhor escolha. Eu acreditava que mecânica possuía uma ampla gama de possibilidades em pesquisa.
Halyson: Escolhi por aquilo que eu gostaria de aprender, porque ficaria muito penoso levar o ITA até o fim se cursasse algo que não me interessasse. Todos os cursos oferecem oportunidades de carreiras promissoras depois de formado, então o melhor é escolher pelo que gosta de fazer.
19. Quais são as vantagens e desvantagens de escolher Reserva? Qual é a melhor vantagem de todas? Por que você não escolheu entrar na Ativa?
Marcos: Vantagens: não ter obrigações militares (apesar de que no ITA são muito poucas), poder ir para as aulas vestido casualmente, não ser obrigado a ficar vinculado à Aeronáutica durante os 5 anos após a formatura. Melhor vantagem: poder se inserir no mercado de trabalho mais cedo, dando chance para a sua carreira decolar rapidamente (dependendo do seu empenho, capacidade e um pouco de sorte). Cinco anos após a formatura, você já pode estar muito bem colocado profissionalmente. Sem contar que a média salarial dos alunos civis do ITA após 5 anos de formados é consideravelmente superior ao salário de Primeiro-Tenente.
Desvantagens: não receber salário enquanto está estudando. Para um jovem de 20 anos, o salário de Aspirante-a-Oficial é realmente tentador. Permite que você se sustente, junte dinheiro e ainda tenha uma vida regada. E se quiser ainda pode ajudar financeiramente seus familiares, como fazem muitos alunos militares. Existe também a questão cada vez mais preocupante da estabilidade. A carreira militar é estável e garante uma aposentadoria integral, coisa que nem mesmo os empregos públicos em geral estão garantindo hoje em dia.
Eu nunca tive afinidade com a carreira militar, e desde o cursinho minha idéia de cursar o ITA era apenas a de cursar uma das melhores universidades de engenharia do país. Ou seja, minha idéia nunca foi ser militar, e sim ser engenheiro.
Daniel: A Ativa é uma escolha mais duradoura que a Reserva. Você precisa se comprometer por mais 5 anos depois de formado. Como a fase para essa decisão é quando você não tem a mínima idéia do que quer fazer da vida, eu julguei mais coerente a Reserva.
Halyson: A melhor vantagem de todas é a liberdade. O militar não escolhe onde vai trabalhar, nem com o quê. A flexibilidade para conduzir a própria carreira é a melhor parte de ser civil. A desvantagem é não receber salário durante a faculdade.
20. Depois de formado dá para seguir a área de engenharia ou é mais comum ir para outros empregos?
Marcos: No ITA, apenas uma minoria vai trabalhar com engenharia após a formatura (sem contar os alunos militares). A maioria vai para áreas de consultoria ou para o mercado financeiro.
Daniel: Eu tenho amigos do ITA hoje que são advogados, tem outro que é praticamente um médico. É óbvio que você pode ser engenheiro. Não existe padrão.
Halyson: Isso varia conforme o mercado. Hoje a carreira de engenheiro está valorizada, mas ainda são muitos os que se formam e optam por trabalhar em áreas que não exatamente engenharia. Também é comum a troca de área depois de algum tempo no mercado de trabalho.
21. Existe chance de empresas do exterior "buscarem" alunos?
Marcos: Existe chance sim, apesar de não ser o mais comum. Mas tenho colegas e conhecidos que foram chamados para trabalhar no exterior.
Daniel: Eu estudei em RWTH na Alemanha. O ideal é você ter iniciativa e buscar conhecer as mais diversas parcerias com universades e empresas que o ITA possui.
Halyson: Acontece de o pessoal trabalhar em empresas do exterior, mas normalmente os alunos é que buscam essas oportunidades. A fama do ITA ainda é bastante pontual fora do Brasil.
22. O mercado financeiro busca muitos formados no ITA? Quais características são mais valorizadas?
Marcos: Sim. Muitos alunos do ITA são chamados pelas áreas de investimento de bancos e por gestoras de fundos de investimento para trabalharem assim que se formam. As características mais valorizadas são a capacidade de se virar, de correr atrás, de aprender rápido, de trabalhar bem em equipe, de gerar idéias que agregam valor à empresa, de não ter medo de enfrentar desafios e uma carga de trabalho pesada.
Daniel: Sim. Eu acredito que você estar preparado para as entrevistas é o mais importante. Para qualquer carreira existe um perfil mais admirado, o mercado financeiro não é diferente.
Halyson: Nos últimos anos é cada vez mais comum ver bancos e fundos contratando formandos do ITA. Entre outras coisas, essas instituições buscam pessoas com raciocínio analítico, que tomem decisões rapidamente e que reajam bem à pressão.
23. Quais atributos você considera mais importante na sua aprovação no concurso?
Marcos: Disciplina, empenho e força de vontade. Estudar focado no objetivo, não se enganar, não ficar olhando para o livro e pensando em outra coisa. Ter consciência de que todo aquele sacrifício vai ter valido a pena quando você for aprovado.
Daniel: Estudar com a máxima dedicação. Buscar excelência. Eu realmente acredito que o vestibular é uma competição. E você buscar ser o melhor, buscar estar preparado, te proporciona uma vantagem competitiva imensurável.
Halyson: Um colega que foi aprovado antes de mim disse algo que considero importante: “vestibular não é inteligência, é experiência”. O que ele quis dizer, com razão, é que o candidato não pode chegar na hora da prova e ficar pensando em cada questão que encontrar. Não há tempo para isso. É necessário treinar muito, para que na hora da prova haja poucas surpresas. Por isso, considero importante a perseverança para estudar muito e exercitar o conhecimento até as provas.
24. Se pudesse resumir o seu ano de esforço para passar no concurso em uma frase, que frase seria?
Marcos: Nove meses de esforço sobre-humano que você percebe que valeram totalmente a pena nos poucos segundos em que você recebe uma ligação e ouve do outro lado da linha alguém dizendo que você foi aprovado, que venceu sua batalha.
Daniel: “Eu quero passar no ITA.”
Halyson: Na bandeira do Espírito Santo há uma frase que resume o que deve ser a atitude do candidato: “Trabalha e Confia”. O vestibulando deve trabalhar duro, se dedicar bastante, mas também deve acreditar que ele pode, deve passar longe do desânimo e pessimismo, deve confiar no que estão fazendo. Portanto, trabalhem e confiem!
25. Mensagem final aos futuros ITeAnos
Marcos: Todas as qualidades que você precisa adquirir ou reforçar para ser aprovado neste concurso são as mesmas que você precisará ter para ser bem sucedido em qualquer coisa que for fazer na sua vida. Inteligência é algo muito menos importante do que disciplina e esforço. Lute, dê seu sangue, suor e lágrimas, a compensação sempre vem depois. Você pode até não passar no concurso, você pode até chegar à conclusão de que não gosta de engenharia e querer mudar de área ou de universidade, você pode até achar que o caminho para você é outro, mas os atributos para obter o sucesso são sempre os mesmos. Nada vem fácil. Uma dieta não dura um dia, o treinamento de um campeão olímpico não dura uma semana, Bill Gates não fundou a Microsoft da noite para o dia. Empenhe-se, vibre, faça o que gosta, mas faça com afinco, com vontade de ser o melhor, ou de estar entre os melhores. Nunca se acomode, trace sempre novos objetivos, siga sempre seus sonhos.
hoje temos o último dia de entrevistas de 2010. Finalmente chegamos ao final! A partir de semana que vem, voltamos ao processo normal de conversas semanais... hehehe
Hoje temos a entrevista de 3 engenheiros optantes pela carreira da Reserva do ITA. Agradeço mais uma vez aos entrevistados, pela atenção e pelo carinho de cederem seu precioso tempo para responder a essas perguntas.
Muito obrigado!
Vamos ao que interessa.
Beijomeliga.

Entrevistados: Marcos Arruda (não é meu parente! hahaha), Daniel Saraiva e Halyson Valadão.
1. Qual a sua turma de formação e sua especialidade?
Marcos: Turma 2001. Engenharia de Infra-Estrutura Aeronáutica.
Daniel: 2003-Mecânica de Aeronáutica
Halyson: Formei como civil pelo ITA no fim de 2007 em Engenharia Aeronáutica.
2. Onde trabalha atualmente (cidade e unidade)? Em que função?
Marcos: Rio de Janeiro – RJ. Sou sócio de uma gestora de fundos de investimento chamada Murano Investimentos, focada na gestão de fundos quantitativos (fundos em que as estratégias de operação em renda variável possuem embasamento 100% matemático e estatístico). Dentre as minhas atividades, pode-se citar a pesquisa, desenvolvimento e implementação de novos modelos automáticos ou semi-automáticos computacionais para operar nas bolsas de valores, que buscam detectar, com base em dados históricos e testes realizados com estes dados, oportunidades de ganho de capital.
Daniel: São Paulo. Sou broker de opções de juros.
Halyson: Atualmente trabalho no Rio de Janeiro, como Especialista em Aviação na Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC.
3. Está satisfeito com seu trabalho? Acha que o seu aprendizado durante a formação está sendo realmente empregado na sua vida profissional?
Marcos: Sim, estou bastante satisfeito. O trabalho é pesado e bastante desafiador, mas extremamente satisfatório. Pode-se dizer que o aprendizado acadêmico me ajuda mais indiretamente do que diretamente. Ou seja, meu trabalho não tem nada a ver com engenharia. Contudo, toda a base matemática que adquiri durante a universidade e toda a capacidade de estudar, se virar e correr atrás que temos que desenvolver para conseguir se manter numa universidade como o ITA sem dúvida me ajudam muito profissionalmente.
Daniel: Estou satisfeito e minha formação contribui bastante para a qualidade do meu trabalho. Contudo, é preciso ter consciência de que sua formação acadêmica busca ampliar suas oportunidades e não restringi-las. Aplicar ou não seus conhecimentos vem da sabedoria de cada um.
Halyson: Sim, o trabalho é muito bom, e tem tudo haver com minha área de formação.
4. Em uma escala de 0 a 10, onde 0 é “nada satisfeito” e 10 é “totalmente satisfeito”, como você classificaria a sua situação em relação ao seu salário?
Marcos: Nota 8. Meu salário médio (digo médio porque os dividendos da empresa são variáveis de acordo com a performance dos fundos geridos) é bastante satisfatório e sem dúvida acima da média de mercado das pessoas da minha faixa etária, mas nossa empresa tem apenas 2 anos e muito espaço para crescer, o que me faz crer que ainda é possível receber proventos bem mais polpudos do que os que recebo hoje. Contudo, minha situação financeira é bem confortável e me permite ter uma vida sem grandes preocupações.
Daniel: Infelizmente, suas expectativas mudam com uma frequencia enorme. Você nunca vai estar satisfeito. Hoje você quer ganhar 10, amanhã 5 ou 15, e são pouquíssimas as felizes pessoas satisfeitas no mundo corporativo. Evite ao máximo tomar decisões baseadas numa “variável extremamente variável”.
Halyson: Nota 9, afinal sempre tem o que melhorar, rs.
5. Você viaja muito a trabalho? Acha isso bom ou ruim?
Marcos: Não viajo. É possível e até provável que exista a necessidade de viajar, dado o tipo de negócio, contudo existem outros sócios da empresa mais ligados à parte comercial que fazem as viagens para visitar investidores, corretores, etc..
Daniel: Viajo bastante a trabalho para visitar clientes. Viajar é sempre bom, mas fica cada vez mais penoso viajar com alguém que você gosta te esperando.
Halyson: Sim, há muitas missões em outras localidades, inclusive no exterior. É bom porque demanda responsabilidade e permite compartilhar conhecimento, apesar de ser cansativo.
6. Qual é a razão pela qual escolheram a sua escola de formação? Era sua primeira opção?
Marcos: Sempre fui um dos melhores alunos da minha escola. E sempre tive a intenção de cursar engenharia. Minha opção pelo ITA veio da vontade de prestar vestibular para as melhores universidades de engenharia do país. Assim, prestei vestibular para o IME, ITA, USP, UNICAMP. Mas minha primeira opção sempre foi o ITA, que eu julgava ser a melhor dentre estas.
Daniel: Eu sempre busquei excelência, por isso prestei vestibular para as faculdades mais prestigiadas. O ITA foi minha primeira opção.
Halyson: Minha primeira opção era o IME, como militar. Cogitei nem me inscrever para o vestibular do ITA, mas meu pai insistiu bastante, até preencheu a ficha de inscrição por mim. Serei sempre grato à insistência dele.
7. Você fez cursinho? Quantos anos?
Marcos: Fiz um curso que nem existe mais, na Tijuca, no Rio de Janeiro – RJ. Na época era o curso que mais aprovava no IME e no ITA no Brasil (fiz o curso em 1995). Fiz apenas 1 ano de curso (que na verdade foi o meu último ano do ensino médio).
Daniel: Fiz 1 ano de cursinho com o Humberto. Ensinei ele a jogar bola.
Halyson: Fiz cursinho durante o 3º ano, na primeira vez em que prestei vestibular para o ITA. No ano seguinte tive que estudar por conta própria, pois já cursava Engenharia da Computação na Universidade Federal do Espírito Santo – UFES.
8. Você costumava sair no ano do concurso? Como era sua vida social?
Marcos: Nesse ano eu tinha 16/17 anos. Minha vida social prévia era tão agitada quanto pode ser a de um adolescente dessa idade (ou seja, muito pouco). O que posso dizer é que foi um ano de muito foco e muito sacrifício. Mesmo levando-se em conta que nessa idade eu praticamente não saía à noite, mesmo minha vida social diurna sofreu sérias restrições. Coloquei na cabeça que ia passar para o ITA e não me incomodei em passar 1 ano estudando de domingo a domingo para atingir meu objetivo. Passei muito tempo sem sair com amigos, ser ir ao cinema ou ao teatro. Mas valeu a pena.
Daniel: Minha prioridade sempre foi estudar no cursinho. Eu costumava ir para academia a noite, jogar bola e praia de vez em quando. Ajuda bastante.
Halyson: Quase nada. Eu nunca tive disciplina para estudar, mas no colégio era mais fácil se sair bem porque era possível estudar de véspera e as matérias de cada prova eram curtas, mais simples. No vestibular a história é outra, então tive que aprender a ter disciplina. Isso não foi nem um pouco fácil.
9. O que você não gostou dentro da sua escola de formação?
Marcos: O ITA é uma universidade como outra qualquer (dentre as boas universidades de engenharia do país). Não vá para lá achando que o ITA é diferenciado pelo ENSINO que proporciona. Não é verdade. O que diferencia o ITA são os alunos que vão estudar lá. O ITA tem a característica de concentrar algumas das cabeças mais brilhantes do país em áreas exatas. Contudo, algumas dessas pessoas são completamente fanáticas e fazem daquilo uma religião, e não uma universidade. Agem como se tivessem sido escolhidos por uma força divina para ter o privilégio de estar lá. Arrogantes e fanáticos. Uma dica que posso dar é: a universidade (seja ela o IME, o ITA ou outra qualquer) é apenas uma PARTE da sua vida. Ela não É a sua vida. Também nunca apreciei o fato das notas lá serem dadas na base de conceitos (por exemplo, o conceito ‘R’ significa que sua nota pode estar entre 6.5 e 7.4). Isto dava margem ao professores manipularem sua nota verdadeira de acordo com motivos pessoais e nem sempre justos, pois você só fica sabendo o conceito que tirou nas provas.
Daniel: Com certeza do peixe do refeitório. Foi quase traumático.
Halyson: Gostaria que a grade curricular fosse mais flexível, que houvesse mais espaço para que o aluno escolhesse mais as cadeiras e direcionasse melhor sua formação. Especialmente durante o curso profissional, poderia haver mais matérias optativas.
10. Como é a cobrança de treinamento físico durante o curso de formação? As provas físicas valem para a nota final?
Marcos: No ITA? Zero. Não existe nenhum tipo de cobrança de treinamento físico, nem mesmo para os alunos militares. O militarismo lá, mesmo para os que fazem a opção pela carreira militar, é BEM light.
Daniel: Não é pesado, mas tem importância para sua avaliação como militar, o que é completamente separado da sua avaliação acadêmica.
Halyson: Quase não há atividade física, exceto por algumas atividades recreativas que não influem em nada na nota. Ninguém deve se preocupar com isso, especialmente quem ainda vai realizar a prova.
11. Muitos alunos ficam reprovados durante o curso? Lá dentro, pode repetir uma matéria ou o ano?
Marcos: Sim, ao longo dos anos muita gente vai ficando pelo caminho, infelizmente. Eu diria que 1/3 da turma que entrou não se forma (entravam 120 e se formavam cerca de 80, na minha época). O esquema de notas no ITA é bem rígido. Funciona assim: as cadeiras são semestrais. A média para passar é 6.5. Um conceito ‘I’ representa uma nota entre 5.0 e 6.4 (insuficiente). Um conceito ‘D’ representa uma nota entre 0.0 e 4.9 (deficiente). Num determinado semestre, se você terminar uma ou duas disciplinas com conceito ‘I’, você terá de fazer segunda época (uma prova final) dessas disciplinas. Na segunda época, o cálculo da sua média final é feito pela média aritmética entre sua média semestral e sua nota na segunda época. Esta média final tem que ser igual ou superior a 6.5. Contudo, se você tirar uma nota entre aquela que você precisa para que sua média final seja exatamente 6.5 e 8.4, você passa na disciplina, mas fica com uma nota ‘I’ marcada no seu histórico escolar. Se tirar uma nota superior a 8.4, você passa na disciplina e se livra de ficar com o ‘I’ no histórico. Ao longo de todos os 5 anos de curso, você só pode ter 5 ‘I’s no seu histórico. No sexto, é desligado. Se você tirar menos do que a nota que precisa na segunda época em alguma disciplina, é trancado por nota. Se você terminar uma disciplina com média semestral ‘D’, é automaticamente reprovado na disciplina e terá que fazer dependência (repetir somente aquela disciplina, no ano seguinte, junto com a turma de baixo). E, obviamente, fica com um ‘I’ marcado no seu histórico para aquela disciplina. Se ficar com média semestral ‘D’ em mais de uma disciplina, é automaticamente trancado por nota. O trancamento significa passar 6 meses em casa e voltar com a turma seguinte para repetir o semestre. Ao longo dos 5 anos de curso, você só pode ser trancado por nota uma única vez. Barra pesada!
Daniel: Existem casos de pessoas que trancaram por dois anos. Você não pode repetir nenhuma matéria, existem dependências no máximo. Como se fossem recuperação no ginásio.
Halyson: Se você comparar com outros cursos de engenharia, verá que o percentual de alunos que conclui o ITA é bastante elevado. A turma 2007 começou com 134 alunos e se formaram 126 ao final daquele ano. Muitos trancam alguma vez durante o curso, por motivos diversos, mas pouquíssimos são aqueles desligados por nota.
É possível trancar o curso duas vezes, sendo uma delas por saúde. A rigidez da grade curricular não permite que matérias sejam cursadas em outros períodos, mas a reprovação em uma única matéria permite que esta seja cursada no ano seguinte, paralelamente ao curso.
12. Muitos alunos desistem durante o curso?
Marcos: Desistir mesmo, mais no início do curso, no primeiro ano. Depois, é difícil ver gente desistindo do curso sem ter sido desligado.
Daniel: Absolutamente não.
Halyson: O número é baixo. A desistência é mais comum no primeiro mês, porque às vezes a pessoa é aprovada em outra instituição, mais perto de casa, e acaba optando por não ficar no ITA. No decorrer do curso é raro alguém desistir.
13. Durante a formação no ITA, você estudou mais ou menos do que para passar no concurso?
Marcos: O estudo durante o ITA é mais disperso. Ou seja, no final das contas você acaba agindo como é de praxe em qualquer universidade e estudando pra valer apenas quando as provas estão próximas (o famoso estudo de véspera). Durante o ano de cursinho, o estudo era mais intenso, mais concentrado, ao menos para mim. No ITA foi muito mais fácil ter uma vida social normal do que no ano de cursinho.
Daniel: A qualidade do ensino é impressionante, contudo sua capacidade de se organizar diminui bastante no período da faculdade. Dado que a exigência é alta na faculdade, acaba se tornando cada vez mais difícil você manter o mesmo nível de notas no decorrer do curso. Parece que você estuda mais, mas é apenas falta de organização.
Halyson: Geralmente, estuda-se mais no ITA do que para entrar nele, porque o ITA é bastante rígido e poucos deslizes podem resultar num trancamento ou mesmo desligamento; assim, cada prova é decisiva.
14. Como é a vida na faculdade, as relações entre seus colegas, os estudos, as responsabilidades?
Marcos: O ITA desperta os sentimentos mais diversos nos seus alunos. Eu particularmente, não gostava de estar lá. Sou carioca, e torcia arduamente para que o fim-de-semana chegasse logo para poder voltar para o Rio. São José dos Campos não é uma cidade com muitos atrativos, e era menos ainda há mais de 10 anos, quando eu estava lá. Morar em alojamento com colegas e amigos é uma experiência única, extremamente válida e construtiva. Você amadurece, aprende a cuidar da sua vida, a organizar suas tarefas e a controlar seu tempo. Se não aprende, acaba sendo desligado. Morar com as mesmas pessoas durante 5 anos faz com que você desenvolva algumas amizades (mesmo que poucas) muito fortes, bem mais fortes do que se você não convivesse diariamente com estas pessoas. Você precisa se encontrar, descobrir como se adaptar àquela vida paradoxal de liberdade total aliada a um esquema pesado de estudos. Ou seja, você está num lugar, com 19, 20 anos, morando com amigos, longe dos seus pais, o que poderia significar um passaporte para uma vida de festas, viagens, farra. Mas você precisa saber conciliar esta rotina boêmia com as responsabilidades que te cercam se quiser se formar.
Daniel: Foi uma das grandes experiências de minha vida. Principalmente as amizades. A maioria das suas responsabilidades pode ser atrelada aos estudos. O que pode deixar seu dia a dia mais agitado é o comprometimento com as mais diversas iniciativas da faculdade, sejam acadêmicas, esportivas, estágios, filantrópicas ou socias.
Halyson: A vida no ITA é muito mais divertida do que pode parecer. A interação entre as pessoas que vivem no alojamento é intensa, cada um de uma parte do Brasil. É uma oportunidade única de entrar em contato com a cultura brasileira, mas principalmente uma chance de desenvolver amizades verdadeiras, que durarão por toda a vida.
O espírito coletivo é muito forte no ITA, e isso se reflete na maneira como se estuda para as provas: a maioria prefere estudar em grupo, o que faz com que todos cresçam juntos. Também no cotidiano o coletivo prevalece sobre o indivíduo. Os apartamentos são para até seis pessoas, e todos devem aprender a dividir, a buscar consenso.
15. Como é estar longe de casa e não ter pai nem mãe pra fazer as coisas pra você?
Marcos: Nada demais. A gente aprende a se virar. E tem que aprender, mesmo. É um preparo extra-acadêmico para o mundo lá fora, para a vida adulta e séria. É preciso saber se organizar, e para tarefas domésticas simples como faxina ou lavar roupa, existem pessoas autorizadas que podem ser contratadas para executá-las. Talvez muito mais importante do que alguém para fazer as coisas para você é a saudade que você sente dos seus pais, parentes em geral e amigos que eventualmente tenha na sua cidade natal. No meu caso, como eu voltava para o Rio quase todos os fins-de-semana, ainda era mais fácil. Mas para aqueles que voltavam para casa apenas 1 ou 2 vezes por ano, a barra era bem mais pesada. Mas é um sacrifício a se fazer em prol de um objetivo maior.
Daniel: É um aprendizado.
Halyson: Quando a necessidade aparece, cada um aprende a se virar. Além disso, no ITA contamos muito uns com os outros, então as coisas ficam mais fáceis.
16. Rola sempre aquela história de que o ITA é melhor que o IME. Você concorda ou discorda? Por quê?
Marcos: Como já mencionei anteriormente, eu acho que em termos de ensino tanto o ITA como o IME são ótimas faculdades, mas tão boas quanto uma UFRJ, USP ou UNICAMP, por exemplo. O que diferencia o IME e o ITA são os alunos. As pessoas que se propõem a cursar estas universidades e que se empenham o suficiente para conseguirem passar já são diferenciadas. Independentemente de inteligência, são pessoas que já mostraram seu valor pela disciplina, perseverança e força de vontade que possuem. Particularmente na comparação IME x ITA, é difícil dizer. Eu acho que o ITA é mais nacionalizado, ou seja, eu acho que há mais gente distribuída pelo Brasil se propondo a cursar o ITA do que o IME, que por sua vez, apesar de também ser uma universidade de repercussão nacional, concentra mais o público carioca. Pode ser que hoje não seja mais assim, mas na minha época era. Logo, na filtragem feita pelo vestibular, a impressão que dava era que o ITA concentrava mais alunos brilhantes que o IME. Outro fato (pontual) que dá algum respaldo a esta constatação é que na minha turma do cursinho, praticamente todos os melhores alunos da turma (que ficavam nas primeiras posições nos ciclos de provas), optaram pelo ITA. Mas realmente não dá pra ser conclusivo neste assunto. Eu tenho amigos formados na PUC ou na UFRJ que são hoje profissionais muito mais brilhantes e respeitados do que outros formados no IME ou no ITA. Então acho que uma lição que pode ser tirada de tudo isto é: o peso do diploma ajuda, principalmente para dar um pontapé inicial na vida profissional, mas o indivíduo vale muito mais que o seu diploma. Ao longo da sua carreira, é VOCÊ que vai mostrar o quão bom profissional você é, e o quanto você merece ser respeitado e valorizado.
Daniel: Eu acredito que o vestibular é um excelente instrumento para selecionar os grandes talentos do nosso país. ITA e IME têm fama por serem um dos mais difícies. Eu conheço apenas o ITA, mas tenho amigos brilhantes que cursaram o IME. Não consigo definir um ranking.
Halyson: Em termos de ensino, não acredito que um seja inferior ao outro. A diferença está no reconhecimento. Em São Paulo, por exemplo, o IME é pouco conhecido. Fala-se mais da Poli-USP, da Unicamp. É inegável que a fama do ITA ajuda a abrir portas, e isso é crucial para quem quer ser civil.
17. Como você fez para se manter após o primeiro ano de formação no ITA?
Marcos: Meus pais tinham condições de me dar uma mesada semanal que era suficiente para me manter.
Daniel: O ITA tem uma política agressiva de subsídio. A alimentação é de graça, a moradia é extremamente barata, o ensino é de graça, e todos seus gastos essenciais estão longe de ser um fator de preocupação. Existem bolsas, aulas particulares podem ser ministradas, os veteranos te passam a maior parte dos livros... Eu ganhava algo em torno de 200 reais da minha família.
Halyson: A família me ajudou nesse período. Também fui bolsista de iniciação científica. Uma das vantagens do ITA é que os custos para se manter lá são baixos, a alimentação é dada pela faculdade e o alojamento é barato.
18. A escolha entre as engenharias sempre gera dúvida. Qual foi o maior motivo de você ter escolhido a sua?
Marcos: Bem, quando entrei no ITA minha primeira opção, que foi aquela para a qual passei, era Engenharia de Computação. Escolhi este curso por pura afinidade. Sempre curti computadores e programação em geral. Cheguei a começar a cursar o primeiro ano profissional (terceiro ano de universidade) nessa especialidade. Mas tive uma certa decepção com o currículo (que ao menos na minha época incluía tantas ou mais cadeiras de Engenharia Eletrônica do que cadeiras ligadas a desenvolvimento de software, que era o que eu realmente gostava), e acabei trocando pela Engenharia de Infra-Estrutura Aeronáutica (leia-se, Engenharia Civil). A opção por esta especialidade foi mais uma falta de opção do que uma opção feita de forma consciente e convicta. Como o ITA possui apenas 5 especialidades de engenharia, eu acabei optando pela que imaginei ter mais afinidade dentre as que restaram.
Daniel: Não se preocupe com isso. Eu até hoje não sei qual teria sido a melhor escolha. Eu acreditava que mecânica possuía uma ampla gama de possibilidades em pesquisa.
Halyson: Escolhi por aquilo que eu gostaria de aprender, porque ficaria muito penoso levar o ITA até o fim se cursasse algo que não me interessasse. Todos os cursos oferecem oportunidades de carreiras promissoras depois de formado, então o melhor é escolher pelo que gosta de fazer.
19. Quais são as vantagens e desvantagens de escolher Reserva? Qual é a melhor vantagem de todas? Por que você não escolheu entrar na Ativa?
Marcos: Vantagens: não ter obrigações militares (apesar de que no ITA são muito poucas), poder ir para as aulas vestido casualmente, não ser obrigado a ficar vinculado à Aeronáutica durante os 5 anos após a formatura. Melhor vantagem: poder se inserir no mercado de trabalho mais cedo, dando chance para a sua carreira decolar rapidamente (dependendo do seu empenho, capacidade e um pouco de sorte). Cinco anos após a formatura, você já pode estar muito bem colocado profissionalmente. Sem contar que a média salarial dos alunos civis do ITA após 5 anos de formados é consideravelmente superior ao salário de Primeiro-Tenente.
Desvantagens: não receber salário enquanto está estudando. Para um jovem de 20 anos, o salário de Aspirante-a-Oficial é realmente tentador. Permite que você se sustente, junte dinheiro e ainda tenha uma vida regada. E se quiser ainda pode ajudar financeiramente seus familiares, como fazem muitos alunos militares. Existe também a questão cada vez mais preocupante da estabilidade. A carreira militar é estável e garante uma aposentadoria integral, coisa que nem mesmo os empregos públicos em geral estão garantindo hoje em dia.
Eu nunca tive afinidade com a carreira militar, e desde o cursinho minha idéia de cursar o ITA era apenas a de cursar uma das melhores universidades de engenharia do país. Ou seja, minha idéia nunca foi ser militar, e sim ser engenheiro.
Daniel: A Ativa é uma escolha mais duradoura que a Reserva. Você precisa se comprometer por mais 5 anos depois de formado. Como a fase para essa decisão é quando você não tem a mínima idéia do que quer fazer da vida, eu julguei mais coerente a Reserva.
Halyson: A melhor vantagem de todas é a liberdade. O militar não escolhe onde vai trabalhar, nem com o quê. A flexibilidade para conduzir a própria carreira é a melhor parte de ser civil. A desvantagem é não receber salário durante a faculdade.
20. Depois de formado dá para seguir a área de engenharia ou é mais comum ir para outros empregos?
Marcos: No ITA, apenas uma minoria vai trabalhar com engenharia após a formatura (sem contar os alunos militares). A maioria vai para áreas de consultoria ou para o mercado financeiro.
Daniel: Eu tenho amigos do ITA hoje que são advogados, tem outro que é praticamente um médico. É óbvio que você pode ser engenheiro. Não existe padrão.
Halyson: Isso varia conforme o mercado. Hoje a carreira de engenheiro está valorizada, mas ainda são muitos os que se formam e optam por trabalhar em áreas que não exatamente engenharia. Também é comum a troca de área depois de algum tempo no mercado de trabalho.
21. Existe chance de empresas do exterior "buscarem" alunos?
Marcos: Existe chance sim, apesar de não ser o mais comum. Mas tenho colegas e conhecidos que foram chamados para trabalhar no exterior.
Daniel: Eu estudei em RWTH na Alemanha. O ideal é você ter iniciativa e buscar conhecer as mais diversas parcerias com universades e empresas que o ITA possui.
Halyson: Acontece de o pessoal trabalhar em empresas do exterior, mas normalmente os alunos é que buscam essas oportunidades. A fama do ITA ainda é bastante pontual fora do Brasil.
22. O mercado financeiro busca muitos formados no ITA? Quais características são mais valorizadas?
Marcos: Sim. Muitos alunos do ITA são chamados pelas áreas de investimento de bancos e por gestoras de fundos de investimento para trabalharem assim que se formam. As características mais valorizadas são a capacidade de se virar, de correr atrás, de aprender rápido, de trabalhar bem em equipe, de gerar idéias que agregam valor à empresa, de não ter medo de enfrentar desafios e uma carga de trabalho pesada.
Daniel: Sim. Eu acredito que você estar preparado para as entrevistas é o mais importante. Para qualquer carreira existe um perfil mais admirado, o mercado financeiro não é diferente.
Halyson: Nos últimos anos é cada vez mais comum ver bancos e fundos contratando formandos do ITA. Entre outras coisas, essas instituições buscam pessoas com raciocínio analítico, que tomem decisões rapidamente e que reajam bem à pressão.
23. Quais atributos você considera mais importante na sua aprovação no concurso?
Marcos: Disciplina, empenho e força de vontade. Estudar focado no objetivo, não se enganar, não ficar olhando para o livro e pensando em outra coisa. Ter consciência de que todo aquele sacrifício vai ter valido a pena quando você for aprovado.
Daniel: Estudar com a máxima dedicação. Buscar excelência. Eu realmente acredito que o vestibular é uma competição. E você buscar ser o melhor, buscar estar preparado, te proporciona uma vantagem competitiva imensurável.
Halyson: Um colega que foi aprovado antes de mim disse algo que considero importante: “vestibular não é inteligência, é experiência”. O que ele quis dizer, com razão, é que o candidato não pode chegar na hora da prova e ficar pensando em cada questão que encontrar. Não há tempo para isso. É necessário treinar muito, para que na hora da prova haja poucas surpresas. Por isso, considero importante a perseverança para estudar muito e exercitar o conhecimento até as provas.
24. Se pudesse resumir o seu ano de esforço para passar no concurso em uma frase, que frase seria?
Marcos: Nove meses de esforço sobre-humano que você percebe que valeram totalmente a pena nos poucos segundos em que você recebe uma ligação e ouve do outro lado da linha alguém dizendo que você foi aprovado, que venceu sua batalha.
Daniel: “Eu quero passar no ITA.”
Halyson: Na bandeira do Espírito Santo há uma frase que resume o que deve ser a atitude do candidato: “Trabalha e Confia”. O vestibulando deve trabalhar duro, se dedicar bastante, mas também deve acreditar que ele pode, deve passar longe do desânimo e pessimismo, deve confiar no que estão fazendo. Portanto, trabalhem e confiem!
25. Mensagem final aos futuros ITeAnos
Marcos: Todas as qualidades que você precisa adquirir ou reforçar para ser aprovado neste concurso são as mesmas que você precisará ter para ser bem sucedido em qualquer coisa que for fazer na sua vida. Inteligência é algo muito menos importante do que disciplina e esforço. Lute, dê seu sangue, suor e lágrimas, a compensação sempre vem depois. Você pode até não passar no concurso, você pode até chegar à conclusão de que não gosta de engenharia e querer mudar de área ou de universidade, você pode até achar que o caminho para você é outro, mas os atributos para obter o sucesso são sempre os mesmos. Nada vem fácil. Uma dieta não dura um dia, o treinamento de um campeão olímpico não dura uma semana, Bill Gates não fundou a Microsoft da noite para o dia. Empenhe-se, vibre, faça o que gosta, mas faça com afinco, com vontade de ser o melhor, ou de estar entre os melhores. Nunca se acomode, trace sempre novos objetivos, siga sempre seus sonhos.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Projeto H2A Entrevista: ITA Ativa
Meus queridos,
hoje temos a entrevista com o pessoal formado na Ativa do ITA. Observem que os dois formados já não estão mais na FAB. Agora eles estão trabalhando em outros lugares, porém, trabalharam durante um bom tempo depois de formados no meio militar. Durante a entrevista, vocês poderão perceber alguns dos motivos que os levaram a esta escolha de sair da FAB.
Mais uma vez, agradeço de coração aos amigos que participaram do projeto. Dois engenheiros excepcionais, que eu tive o prazer de ser professor, e que hoje estão brilhando.
Vamos ao que interessa. Beijomeliga!

Entrevistados: Marcelo Portela e Fábio Longo.
1. Qual a sua turma de formação e sua especialidade?
M. Portela: Sou formado em Engenharia Aeronáutica pelo ITA em 2004 e pós graduado em Ensaios em Vôo como Engenheiro de Testes de Aeronaves Asa Fixa no Grupo Especial de Ensaios em Vôo – GEEV, que é uma das cinco escolas de ensaios em vôo do mundo e a única do Hemisfério Sul.
Fábio: Turma 2005 – Eletrônica.
2. Onde trabalha atualmente (cidade e unidade)? Em que função?
M. Portela: Trabalho há três meses na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Sou Especialista em Regulação de Aviação Civil e pertenço à Gerência de Avaliação de Aeronaves e Simuladores de Vôo.
Trabalhei por cinco anos na Força Aérea Brasileira, como Engenheiro de Ensaios em Vôo. Voei e testei praticamente todas as aeronaves da FAB: Mirage III, Super Tucano, Boeing Presidencial, Tucano, T-25, Bandeirante, Brasília, Búfalo, Hércules, LearJet, etc. Além de avaliar algumas aeronaves no exterior tais como Mirage 2000, AlphaJet e Dolphin. Além disso, testávamos muitos armamentos aéreos, tais como metralhadoras, mísseis, foguetes, bombas simples e guiadas a laser, etc. Não posso dizer o nome desses armamentos nem muitos detalhes devido a questões de confidencialidade.
Fábio: Depois de formado trabalhei no CTA (São José dos Campos), no Instituto de Aeronáutica e Espaço, na Divisão de Sistemas de Defesa. Em 2006, fiz o curso de Extensão em Engenharia de Armamento Aéreo, onde trabalhava com projetos na área de defesa militar.
Desde setembro de 2008 estou na Petrobrás como Engenheiro de Petróleo, embarco com escala de 14 x 21 na bacia de Campos – RJ. Logo, posso morar onde quiser.
3. Está satisfeito com seu trabalho? Acha que o seu aprendizado durante a formação está sendo realmente empregado na sua vida profissional?
M. Portela: Estou muito satisfeito, pois trabalho com a minha paixão que é o avião e em uma área bastante técnica, onde tenho que constantemente aplicar meus conhecimentos de engenharia e experiência testando aeronaves.
Fábio: Sim. Sim, os formados no ITA costumam ter uma base de matemática e física muito forte, o que é um grande diferencial para a área de engenharia em geral.
4. Em uma escala de 0 a 10, onde 0 é “nada satisfeito” e 10 é “totalmente satisfeito”, como você classificaria a sua situação em relação ao seu salário?
M. Portela: Diria que 8, pois ganho atualmente R$ 10.000,00 mensais, o que considero um bom salário, mas não estou acomodado com ele. Além disso, como viajo muito, isso dá um bom upgrade no salário, já que quando estamos viajando, ganhamos diárias além do salário normal. Dependendo do destino, em viagens para o exterior, por exemplo, dá mais ou menos USD 300,00 por dia. Em viagens pelo Brasil, em torno de R$ 200,00.
Fábio: 8, pois outras empresas do ramo de Petróleo pagam bem mais.
5. Você viaja muito a trabalho? Acha isso bom ou ruim?
M. Portela: Viajo mais ou menos duas vezes por mês, tanto pelo Brasil quanto para o exterior. São viagens de curta duração, de 2 a 15 dias, no máximo. Gosto de conhecer lugares e culturas diferentes, então, acho muito boa essa oportunidade de viajar a trabalho. Tem alguns lugares em que dificilmente iria a lazer, já que são lugares não tão turísticos ou distantes e caros. Por exemplo, já fui algumas vezes para Israel. É um país maravilhoso, de cultura e tradições fantásticas, mas que seria um país com uma prioridade muito baixa na minha lista de “lugares que ainda quero conhecer”. Acabo também de chegar de Bogotá. Nunca pensei em conhecer a Colômbia. Se não fosse a trabalho, não iria. Gostei da experiência.
Fábio: Sim, todo mês. Quem viaja muito sempre tem saudade de ficar quieto em casa e saudade dos amigos e familiares, mas é questão de tempo para se acostumar.
6. Qual é a razão pela qual escolheram a sua escola de formação? Era sua primeira opção?
M. Portela: O ITA foi minha primeiríssima escolha. Primeiro porque adoro avião e segundo porque eu conheço o nome ITA desde que era criança. Quando eu tinha uns 8 anos, enviava cartas à Embraer e recebia pôsteres de aviões e jornaizinhos do ITA juntos. Eu perguntava pro meu pai o que era o ITA e ele me falava que era um lugar que só tinha gênios (os pais também mentem pra gente). Fiquei com aquilo na cabeça e sonhei em fazer parte daquilo. Veio a adolescência e, com ela, me esqueci de ITA. Queria saber de música, de sair pra dançar, de namorar... Quando comecei a estudar para o vestibular, vi que tinha potencial, e esse sonho voltou com tudo. A possibilidade real de realizá-lo existia e só dependia de mim conseguir.
Fábio: Procurava a faculdade de engenharia que fosse mais renomada e desafiadora do país. Sim.
7. Você fez cursinho? Quantos anos?
M. Portela: Fui mal orientado na época do vestibular. Acabei o segundo grau técnico em eletrônica e nem vestibular prestei naquele ano. No ano seguinte fiz um curso pré-vestibular “normal” para tentar as faculdades públicas: UERJ, UFRJ e UFF. Passei para todas e comecei Informática na UFRJ. Este primeiro ano de cursinho foi muito bom para eu me conhecer, para eu conhecer meu potencial, saber das possibilidades de escolha. Com isso, descobri que seria possível passar para a escola que eu queria mais, que era o ITA. Larguei a faculdade (meu pai quase me matou!) e fiz um ano de turma IME-ITA. Passei em primeiro do Brasil na EFOMM, em primeiro do Rio (terceiro do Brasil) na AFA, passei para IME, Escola Naval e ITA e escolhi o ITA.
Fábio: Sim, 1 ano.
8. Você costumava sair no ano do concurso? Como era sua vida social?
M. Portela: Eu namorava, então fiz um trato com a namorada de nos vermos às terças, sextas, sábados e domingos. Foi isso que fiz o ano todo: estudei e namorei 4 vezes por semana. Definitivamente não foi uma clausura. Creio que o importante nessa missão, como em tudo na vida, é o equilíbrio. Claro que nesse ano você tem que se dedicar muito mais que o normal, mas não pode deixar à parte o lado lúdico da vida. É um ano de muita ralação, uma corrida de resistência em que você tem que dosar suas energias. Beba seu Gatorade de vez em quando!
Fábio: Saía normalmente, mas sempre estudava nos fins de semana para cobrir minhas deficiências do segundo grau técnico. Era normal, mas sem bebidas e viradas, pois isso tira muito a disposição da pessoa.
9. O que você não gostou dentro da sua escola de formação?
M. Portela: A gente sai da turma IME-ITA, onde a maioria dos professores sabe muito e tem uma excelente didática. Chega à faculdade e encontra muitos pesquisadores dando aulas, no papel de professores. Eles sabem muito, mas geralmente não conseguem passar o conhecimento da melhor maneira. Isso é um baque. O estudante tem que aprender a se virar sozinho. Tem que reaprender a estudar. E, além disso, como já disse antes, o ITA era meu sonho e quando a gente sonha, idealiza. Quando cheguei lá e vi seus defeitos, fiquei um pouco decepcionado. Eram defeitos comuns, da vida, mas como era diferente do que idealizei, me frustrou um pouco.
Fábio: A cidade em que se encontra fornece poucas opções de diversão, é mais procurada para trabalho.
10. Como é a cobrança de treinamento físico durante o curso de formação? As provas físicas valem para a nota final?
M. Portela: Não. Se tem uma coisa que não precisa se preocupar no ITA é quanto ao aspecto físico.
Fábio: Praticamente não existe. Não.
11. Muitos alunos ficam reprovados durante o curso? Lá dentro, pode repetir uma matéria ou o ano?
M. Portela: Diria que mais difícil do que passar no ITA é passar pelo ITA. Uns 20% não formaram na minha turma. Lá, você pode trancar uma vez por nota e uma vez por saúde. Existe, além disso, a “dependência”, que é quando você não consegue passar em uma matéria nem na segunda época (recuperação) e a repete no ano seguinte.
Entretanto, o que mais desliga alunos no ITA são os números de notas I (Insuficiente), da seguinte maneira: quando você não alcança a nota para passar em uma matéria no semestre, você fica de segunda época. Você pode pegar até duas segundas épocas por semestre. Mais que isso você tem que trancar. Pois bem, ao fazer a prova de segunda época, você tem que tirar 6,5 + o tanto que faltou para você passar direto. Digamos que você ficou com 5,5 de média. Para 6,5 falta um ponto, logo, para passar na segunda chamada, você tem que tirar 6,5 + 1,0 = 7,5. Agora que vem o pior: se você tirar só isso, você passa, mas fica com uma nota I de Insuficiente no seu boletim. Caso você fique com 6 I ao longo de todo os anos do ITA, você está desligado automaticamente. E o chato é que isso acontece normalmente quando o aluno já está no quarto ano. Para livrar-se desse I, o aluno tem que tirar no mínimo MB (Muito Bom – Nota de 8,5 a 9,4) na prova de segunda época.
Fábio: Sim, é mais difícil permanecer lá dentro do que passar. Não é permitido repetir, porém, o indivíduo pode trancar matrícula 1 vez por motivos pessoais (se não for militar) e 1 vez por motivo de doença.
12. Muitos alunos desistem durante o curso?
M. Portela: Sim. Não sei te dizer um número, mas desistem sim.
Fábio: Sim, um amigo meu de apartamento desistiu já no início do quarto ano, foi fazer medicina na USP.
13. Durante a formação no ITA, você estudou mais ou menos do que para passar no concurso?
M. Portela: Apesar de eu dizer que é mais difícil passar pelo ITA do que pro ITA, eu estudei menos lá. Foi um estudo mais objetivo, planejado. Eu não estava competindo com ninguém, como no concurso, por isso considerava a situação mais controlada. Eu conseguia fazer minhas coisas: malhava, fazia Jiu-Jitsu, dava aulas, viajava, namorava, saía, etc. Vida normal, diferente do ano de cursinho.
Fábio: Muito mais.
14. Os testes de saúde (de visão, ortopédico, etc.) antes de entrar pro ITA e depois quando estiver lá são muito rigorosos?
M. Portela: Não. Para entrar é light e para se manter não existe. Se for aluno militar, é um pouco mais rigoroso, mas nada de outro mundo como para piloto na AFA, por exemplo.
Fábio: Definitivamente não, podem ficar tranqüilos :)
15. Como é a vida na faculdade, as relações entre seus colegas, os estudos, as responsabilidades?
M. Portela: A convivência com os outros alunos é muito boa. No ITA, todos moram em um alojamento chamado H-8. Lá, quando você quer falar sobre qualquer assunto, existe alguém que sabe muito sobre aquilo. Se você souber aproveitar isso, o crescimento será enorme. Tenho amigos do Brasil todo e adoro essa diferença cultural.
A pressão do ITA é muito alta. É muito difícil não saber até o final do quarto ano (o quinto ano é moleza!) se você vai ser um Iteano. São muitas atividades, provas, relatórios, testes, aulas, laboratórios... Mas é assim que você se torna um homem/mulher de verdade: assumindo responsabilidades. E o legal do ITA é que você se torna, além de engenheiro, um “resolvedor de problemas”. São tantos os que aparecem ao longo da faculdade e você consegue superá-los, resolvê-los, que quando você está em uma empresa, o que surge é fichinha!
Fábio: Na faculdade: existe uma forte doutrina de ética (chamada disciplina consciente), a ponto de os alunos nunca colarem mesmo sem vigilância dos professores, estes confiam no aluno. No entanto, se houver quebra nessa ética por parte do aluno ele é desligado imediatamente, pois esse é o pilar principal do ITA. Esse pilar foi herdado do MIT, no qual o ITA foi baseado desde sua fundação (vieram profs do MIT para coordenadar e orientar a formação do ITA e seus princípios por volta de 1950).
Relações: os alunos colaboram muito uns com os outros, tanto na parte de estudos como na vida particular, 99% moram no alojamento. É muito mais difícil fazer ITA morando fora do alojamento, pois essa colaboração e interação com os colegas é fundamental.
16. Como é estar longe de casa e não ter pai nem mãe pra fazer as coisas pra você?
M. Portela: Você cresce muito como pessoa nesta fase da vida. Eu achei muito tranqüilo, apesar de ter sentido muita falta no comecinho.
Fábio: Varia muito de pessoa pra pessoa, nunca fui “filhinho da mamãe” mimadinho, então não tive problemas. Tem alguns que choram com saudades de casa no início, mas depois vêem que é só mais um desafio e mais uma fase da vida, importante por sinal.
17. Rola sempre aquela história de que o ITA é melhor que o IME. Você concorda ou discorda? Por quê?
M. Portela: Eu só tenho a visão de um lado dessa “disputa”. Opinião pessoal: acho que o ITA tem ainda uma maior visibilidade no Brasil, mas o IME parece ter mais recursos. Em termos de “milicagem”, sem dúvida o ITA tem menos que o IME, seja isso bom ou ruim. Não vou entrar no mérito. Isso é uma questão muito pessoal. Cada um que diga se isso é um ponto positivo ou não.
Fábio: Pelo conheço dos meus amigos do IME, o que faz o ITA estar um passo a frente do IME é a disciplina consciente e o espírito de camaradagem e colaboração entre os alunos. Creio que o nível de cobrança seja o mesmo, mas vencer os desafios com forças próprias sem atalhos é um grande diferencial.
18. A escolha entre as engenharias sempre gera dúvida. Qual foi o maior motivo de você ter escolhido a sua?
M. Portela: Sou um apaixonado por aviões. Sempre quis trabalhar com eles. Queria voar, mas não pude ser piloto militar devido à minha miopia. Descobri então esse caminho alternativo para voar e entender melhor o objeto da minha paixão.
Fábio: Eu fiz segundo grau técnico em eletrônica, e me identificava bem com a área.
19. O trabalho é diversificado ou todos os dias existem os mesmos procedimentos a serem seguidos?
M. Portela: Cada dia é diferente. Tem dia em que estou avaliando simuladores de vôo, em outros dias são aviões, em outros são reuniões, burocracia (sim, também tenho que roer o osso muitas vezes), viagens, etc.
Fábio: Meu trabalho, quando na Aeronáutica, seguia basicamente os mesmos procedimentos. Hoje, meu trabalho na Petrobrás é bastante dinâmico, pois aparecem várias situações inesperadas em que devo apresentar soluções.
20. Quais são as vantagens e desvantagens de escolher Ativa? Qual é a melhor vantagem de todas? Por que você não escolheu entrar na reserva?
M. Portela: Uma grande vantagem para mim é poder estudar e ganhar o salário de aspirante já a partir do terceiro ano da faculdade. Ainda falando de salário, o inicial não é dos piores, você se forma ganhando relativamente bem. Outra coisa muito boa é a estabilidade: você pode fazer planejamentos futuros sabendo que estará empregado na época. Há um plano de carreira, você sabe onde pode chegar: o engenheiro da Força Aérea pode chegar a Major-Brigadeiro. Além disso, você pode conseguir continuar estudando, fazendo mestrado, doutorado, etc. A aposentadoria, além de ser integral, vem cedo.
Eu considero a melhor vantagem de todas, você estar em uma carreira que você admira. Ou seja, se você gosta da carreira militar, seja um, se não curte muito, não seja, afinal o diploma do ITA é uma grande estabilidade. Dificilmente você ficará desempregado.
A maior desvantagem de ser militar é que o crescimento é lento e o salário no final de carreira não é dos melhores. Você nunca será rico sendo militar, mas também nunca será pobre. Além disso, as coisas não andam muito rápido lá. Você tem que lutar muito para que os processos corram e o trabalho dê certo.
Fábio: Vantagem e melhor vantagem: a partir do terceiro ano você é promovido a aspirante a oficial e passa a ganhar como tal (mais de 4000 reais atualmente).
Porque não teria como me sustentar em São José dos Campos, sem ganhar nada, somente dependendo dos pais.
21. Quais atributos você considera mais importante na sua aprovação no concurso?
M. Portela: Motivação, dedicação e ser bem orientado.
Fábio: Dedicação (suar a camisa e ter humildade é fundamental), otimismo (acreditar em você mesmo é muito importante) e foco (o aluno deve saber o que vale a pena e o que não vale. Dica: veja o padrão das provas passadas, vai saber o que sempre exigem).
22. Se pudesse resumir o seu ano de esforço para passar no concurso em uma frase, que frase seria?
M. Portela: Mantenha-se motivado sempre.
Fábio: Quando a pessoa tem certeza de onde quer chegar, acredita que é capaz e dedica suas energias para tal, a vitória logo chegará.
23. Mensagem final aos futuros ITEanos
Fábio: Caros candidatos, saudações de, quem sabe, um futuro veterano!
Aqueles que quiserem mais informações podem perguntar através do meu amigo Humberto.
Abraço.
hoje temos a entrevista com o pessoal formado na Ativa do ITA. Observem que os dois formados já não estão mais na FAB. Agora eles estão trabalhando em outros lugares, porém, trabalharam durante um bom tempo depois de formados no meio militar. Durante a entrevista, vocês poderão perceber alguns dos motivos que os levaram a esta escolha de sair da FAB.
Mais uma vez, agradeço de coração aos amigos que participaram do projeto. Dois engenheiros excepcionais, que eu tive o prazer de ser professor, e que hoje estão brilhando.
Vamos ao que interessa. Beijomeliga!

Entrevistados: Marcelo Portela e Fábio Longo.
1. Qual a sua turma de formação e sua especialidade?
M. Portela: Sou formado em Engenharia Aeronáutica pelo ITA em 2004 e pós graduado em Ensaios em Vôo como Engenheiro de Testes de Aeronaves Asa Fixa no Grupo Especial de Ensaios em Vôo – GEEV, que é uma das cinco escolas de ensaios em vôo do mundo e a única do Hemisfério Sul.
Fábio: Turma 2005 – Eletrônica.
2. Onde trabalha atualmente (cidade e unidade)? Em que função?
M. Portela: Trabalho há três meses na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Sou Especialista em Regulação de Aviação Civil e pertenço à Gerência de Avaliação de Aeronaves e Simuladores de Vôo.
Trabalhei por cinco anos na Força Aérea Brasileira, como Engenheiro de Ensaios em Vôo. Voei e testei praticamente todas as aeronaves da FAB: Mirage III, Super Tucano, Boeing Presidencial, Tucano, T-25, Bandeirante, Brasília, Búfalo, Hércules, LearJet, etc. Além de avaliar algumas aeronaves no exterior tais como Mirage 2000, AlphaJet e Dolphin. Além disso, testávamos muitos armamentos aéreos, tais como metralhadoras, mísseis, foguetes, bombas simples e guiadas a laser, etc. Não posso dizer o nome desses armamentos nem muitos detalhes devido a questões de confidencialidade.
Fábio: Depois de formado trabalhei no CTA (São José dos Campos), no Instituto de Aeronáutica e Espaço, na Divisão de Sistemas de Defesa. Em 2006, fiz o curso de Extensão em Engenharia de Armamento Aéreo, onde trabalhava com projetos na área de defesa militar.
Desde setembro de 2008 estou na Petrobrás como Engenheiro de Petróleo, embarco com escala de 14 x 21 na bacia de Campos – RJ. Logo, posso morar onde quiser.
3. Está satisfeito com seu trabalho? Acha que o seu aprendizado durante a formação está sendo realmente empregado na sua vida profissional?
M. Portela: Estou muito satisfeito, pois trabalho com a minha paixão que é o avião e em uma área bastante técnica, onde tenho que constantemente aplicar meus conhecimentos de engenharia e experiência testando aeronaves.
Fábio: Sim. Sim, os formados no ITA costumam ter uma base de matemática e física muito forte, o que é um grande diferencial para a área de engenharia em geral.
4. Em uma escala de 0 a 10, onde 0 é “nada satisfeito” e 10 é “totalmente satisfeito”, como você classificaria a sua situação em relação ao seu salário?
M. Portela: Diria que 8, pois ganho atualmente R$ 10.000,00 mensais, o que considero um bom salário, mas não estou acomodado com ele. Além disso, como viajo muito, isso dá um bom upgrade no salário, já que quando estamos viajando, ganhamos diárias além do salário normal. Dependendo do destino, em viagens para o exterior, por exemplo, dá mais ou menos USD 300,00 por dia. Em viagens pelo Brasil, em torno de R$ 200,00.
Fábio: 8, pois outras empresas do ramo de Petróleo pagam bem mais.
5. Você viaja muito a trabalho? Acha isso bom ou ruim?
M. Portela: Viajo mais ou menos duas vezes por mês, tanto pelo Brasil quanto para o exterior. São viagens de curta duração, de 2 a 15 dias, no máximo. Gosto de conhecer lugares e culturas diferentes, então, acho muito boa essa oportunidade de viajar a trabalho. Tem alguns lugares em que dificilmente iria a lazer, já que são lugares não tão turísticos ou distantes e caros. Por exemplo, já fui algumas vezes para Israel. É um país maravilhoso, de cultura e tradições fantásticas, mas que seria um país com uma prioridade muito baixa na minha lista de “lugares que ainda quero conhecer”. Acabo também de chegar de Bogotá. Nunca pensei em conhecer a Colômbia. Se não fosse a trabalho, não iria. Gostei da experiência.
Fábio: Sim, todo mês. Quem viaja muito sempre tem saudade de ficar quieto em casa e saudade dos amigos e familiares, mas é questão de tempo para se acostumar.
6. Qual é a razão pela qual escolheram a sua escola de formação? Era sua primeira opção?
M. Portela: O ITA foi minha primeiríssima escolha. Primeiro porque adoro avião e segundo porque eu conheço o nome ITA desde que era criança. Quando eu tinha uns 8 anos, enviava cartas à Embraer e recebia pôsteres de aviões e jornaizinhos do ITA juntos. Eu perguntava pro meu pai o que era o ITA e ele me falava que era um lugar que só tinha gênios (os pais também mentem pra gente). Fiquei com aquilo na cabeça e sonhei em fazer parte daquilo. Veio a adolescência e, com ela, me esqueci de ITA. Queria saber de música, de sair pra dançar, de namorar... Quando comecei a estudar para o vestibular, vi que tinha potencial, e esse sonho voltou com tudo. A possibilidade real de realizá-lo existia e só dependia de mim conseguir.
Fábio: Procurava a faculdade de engenharia que fosse mais renomada e desafiadora do país. Sim.
7. Você fez cursinho? Quantos anos?
M. Portela: Fui mal orientado na época do vestibular. Acabei o segundo grau técnico em eletrônica e nem vestibular prestei naquele ano. No ano seguinte fiz um curso pré-vestibular “normal” para tentar as faculdades públicas: UERJ, UFRJ e UFF. Passei para todas e comecei Informática na UFRJ. Este primeiro ano de cursinho foi muito bom para eu me conhecer, para eu conhecer meu potencial, saber das possibilidades de escolha. Com isso, descobri que seria possível passar para a escola que eu queria mais, que era o ITA. Larguei a faculdade (meu pai quase me matou!) e fiz um ano de turma IME-ITA. Passei em primeiro do Brasil na EFOMM, em primeiro do Rio (terceiro do Brasil) na AFA, passei para IME, Escola Naval e ITA e escolhi o ITA.
Fábio: Sim, 1 ano.
8. Você costumava sair no ano do concurso? Como era sua vida social?
M. Portela: Eu namorava, então fiz um trato com a namorada de nos vermos às terças, sextas, sábados e domingos. Foi isso que fiz o ano todo: estudei e namorei 4 vezes por semana. Definitivamente não foi uma clausura. Creio que o importante nessa missão, como em tudo na vida, é o equilíbrio. Claro que nesse ano você tem que se dedicar muito mais que o normal, mas não pode deixar à parte o lado lúdico da vida. É um ano de muita ralação, uma corrida de resistência em que você tem que dosar suas energias. Beba seu Gatorade de vez em quando!
Fábio: Saía normalmente, mas sempre estudava nos fins de semana para cobrir minhas deficiências do segundo grau técnico. Era normal, mas sem bebidas e viradas, pois isso tira muito a disposição da pessoa.
9. O que você não gostou dentro da sua escola de formação?
M. Portela: A gente sai da turma IME-ITA, onde a maioria dos professores sabe muito e tem uma excelente didática. Chega à faculdade e encontra muitos pesquisadores dando aulas, no papel de professores. Eles sabem muito, mas geralmente não conseguem passar o conhecimento da melhor maneira. Isso é um baque. O estudante tem que aprender a se virar sozinho. Tem que reaprender a estudar. E, além disso, como já disse antes, o ITA era meu sonho e quando a gente sonha, idealiza. Quando cheguei lá e vi seus defeitos, fiquei um pouco decepcionado. Eram defeitos comuns, da vida, mas como era diferente do que idealizei, me frustrou um pouco.
Fábio: A cidade em que se encontra fornece poucas opções de diversão, é mais procurada para trabalho.
10. Como é a cobrança de treinamento físico durante o curso de formação? As provas físicas valem para a nota final?
M. Portela: Não. Se tem uma coisa que não precisa se preocupar no ITA é quanto ao aspecto físico.
Fábio: Praticamente não existe. Não.
11. Muitos alunos ficam reprovados durante o curso? Lá dentro, pode repetir uma matéria ou o ano?
M. Portela: Diria que mais difícil do que passar no ITA é passar pelo ITA. Uns 20% não formaram na minha turma. Lá, você pode trancar uma vez por nota e uma vez por saúde. Existe, além disso, a “dependência”, que é quando você não consegue passar em uma matéria nem na segunda época (recuperação) e a repete no ano seguinte.
Entretanto, o que mais desliga alunos no ITA são os números de notas I (Insuficiente), da seguinte maneira: quando você não alcança a nota para passar em uma matéria no semestre, você fica de segunda época. Você pode pegar até duas segundas épocas por semestre. Mais que isso você tem que trancar. Pois bem, ao fazer a prova de segunda época, você tem que tirar 6,5 + o tanto que faltou para você passar direto. Digamos que você ficou com 5,5 de média. Para 6,5 falta um ponto, logo, para passar na segunda chamada, você tem que tirar 6,5 + 1,0 = 7,5. Agora que vem o pior: se você tirar só isso, você passa, mas fica com uma nota I de Insuficiente no seu boletim. Caso você fique com 6 I ao longo de todo os anos do ITA, você está desligado automaticamente. E o chato é que isso acontece normalmente quando o aluno já está no quarto ano. Para livrar-se desse I, o aluno tem que tirar no mínimo MB (Muito Bom – Nota de 8,5 a 9,4) na prova de segunda época.
Fábio: Sim, é mais difícil permanecer lá dentro do que passar. Não é permitido repetir, porém, o indivíduo pode trancar matrícula 1 vez por motivos pessoais (se não for militar) e 1 vez por motivo de doença.
12. Muitos alunos desistem durante o curso?
M. Portela: Sim. Não sei te dizer um número, mas desistem sim.
Fábio: Sim, um amigo meu de apartamento desistiu já no início do quarto ano, foi fazer medicina na USP.
13. Durante a formação no ITA, você estudou mais ou menos do que para passar no concurso?
M. Portela: Apesar de eu dizer que é mais difícil passar pelo ITA do que pro ITA, eu estudei menos lá. Foi um estudo mais objetivo, planejado. Eu não estava competindo com ninguém, como no concurso, por isso considerava a situação mais controlada. Eu conseguia fazer minhas coisas: malhava, fazia Jiu-Jitsu, dava aulas, viajava, namorava, saía, etc. Vida normal, diferente do ano de cursinho.
Fábio: Muito mais.
14. Os testes de saúde (de visão, ortopédico, etc.) antes de entrar pro ITA e depois quando estiver lá são muito rigorosos?
M. Portela: Não. Para entrar é light e para se manter não existe. Se for aluno militar, é um pouco mais rigoroso, mas nada de outro mundo como para piloto na AFA, por exemplo.
Fábio: Definitivamente não, podem ficar tranqüilos :)
15. Como é a vida na faculdade, as relações entre seus colegas, os estudos, as responsabilidades?
M. Portela: A convivência com os outros alunos é muito boa. No ITA, todos moram em um alojamento chamado H-8. Lá, quando você quer falar sobre qualquer assunto, existe alguém que sabe muito sobre aquilo. Se você souber aproveitar isso, o crescimento será enorme. Tenho amigos do Brasil todo e adoro essa diferença cultural.
A pressão do ITA é muito alta. É muito difícil não saber até o final do quarto ano (o quinto ano é moleza!) se você vai ser um Iteano. São muitas atividades, provas, relatórios, testes, aulas, laboratórios... Mas é assim que você se torna um homem/mulher de verdade: assumindo responsabilidades. E o legal do ITA é que você se torna, além de engenheiro, um “resolvedor de problemas”. São tantos os que aparecem ao longo da faculdade e você consegue superá-los, resolvê-los, que quando você está em uma empresa, o que surge é fichinha!
Fábio: Na faculdade: existe uma forte doutrina de ética (chamada disciplina consciente), a ponto de os alunos nunca colarem mesmo sem vigilância dos professores, estes confiam no aluno. No entanto, se houver quebra nessa ética por parte do aluno ele é desligado imediatamente, pois esse é o pilar principal do ITA. Esse pilar foi herdado do MIT, no qual o ITA foi baseado desde sua fundação (vieram profs do MIT para coordenadar e orientar a formação do ITA e seus princípios por volta de 1950).
Relações: os alunos colaboram muito uns com os outros, tanto na parte de estudos como na vida particular, 99% moram no alojamento. É muito mais difícil fazer ITA morando fora do alojamento, pois essa colaboração e interação com os colegas é fundamental.
16. Como é estar longe de casa e não ter pai nem mãe pra fazer as coisas pra você?
M. Portela: Você cresce muito como pessoa nesta fase da vida. Eu achei muito tranqüilo, apesar de ter sentido muita falta no comecinho.
Fábio: Varia muito de pessoa pra pessoa, nunca fui “filhinho da mamãe” mimadinho, então não tive problemas. Tem alguns que choram com saudades de casa no início, mas depois vêem que é só mais um desafio e mais uma fase da vida, importante por sinal.
17. Rola sempre aquela história de que o ITA é melhor que o IME. Você concorda ou discorda? Por quê?
M. Portela: Eu só tenho a visão de um lado dessa “disputa”. Opinião pessoal: acho que o ITA tem ainda uma maior visibilidade no Brasil, mas o IME parece ter mais recursos. Em termos de “milicagem”, sem dúvida o ITA tem menos que o IME, seja isso bom ou ruim. Não vou entrar no mérito. Isso é uma questão muito pessoal. Cada um que diga se isso é um ponto positivo ou não.
Fábio: Pelo conheço dos meus amigos do IME, o que faz o ITA estar um passo a frente do IME é a disciplina consciente e o espírito de camaradagem e colaboração entre os alunos. Creio que o nível de cobrança seja o mesmo, mas vencer os desafios com forças próprias sem atalhos é um grande diferencial.
18. A escolha entre as engenharias sempre gera dúvida. Qual foi o maior motivo de você ter escolhido a sua?
M. Portela: Sou um apaixonado por aviões. Sempre quis trabalhar com eles. Queria voar, mas não pude ser piloto militar devido à minha miopia. Descobri então esse caminho alternativo para voar e entender melhor o objeto da minha paixão.
Fábio: Eu fiz segundo grau técnico em eletrônica, e me identificava bem com a área.
19. O trabalho é diversificado ou todos os dias existem os mesmos procedimentos a serem seguidos?
M. Portela: Cada dia é diferente. Tem dia em que estou avaliando simuladores de vôo, em outros dias são aviões, em outros são reuniões, burocracia (sim, também tenho que roer o osso muitas vezes), viagens, etc.
Fábio: Meu trabalho, quando na Aeronáutica, seguia basicamente os mesmos procedimentos. Hoje, meu trabalho na Petrobrás é bastante dinâmico, pois aparecem várias situações inesperadas em que devo apresentar soluções.
20. Quais são as vantagens e desvantagens de escolher Ativa? Qual é a melhor vantagem de todas? Por que você não escolheu entrar na reserva?
M. Portela: Uma grande vantagem para mim é poder estudar e ganhar o salário de aspirante já a partir do terceiro ano da faculdade. Ainda falando de salário, o inicial não é dos piores, você se forma ganhando relativamente bem. Outra coisa muito boa é a estabilidade: você pode fazer planejamentos futuros sabendo que estará empregado na época. Há um plano de carreira, você sabe onde pode chegar: o engenheiro da Força Aérea pode chegar a Major-Brigadeiro. Além disso, você pode conseguir continuar estudando, fazendo mestrado, doutorado, etc. A aposentadoria, além de ser integral, vem cedo.
Eu considero a melhor vantagem de todas, você estar em uma carreira que você admira. Ou seja, se você gosta da carreira militar, seja um, se não curte muito, não seja, afinal o diploma do ITA é uma grande estabilidade. Dificilmente você ficará desempregado.
A maior desvantagem de ser militar é que o crescimento é lento e o salário no final de carreira não é dos melhores. Você nunca será rico sendo militar, mas também nunca será pobre. Além disso, as coisas não andam muito rápido lá. Você tem que lutar muito para que os processos corram e o trabalho dê certo.
Fábio: Vantagem e melhor vantagem: a partir do terceiro ano você é promovido a aspirante a oficial e passa a ganhar como tal (mais de 4000 reais atualmente).
Porque não teria como me sustentar em São José dos Campos, sem ganhar nada, somente dependendo dos pais.
21. Quais atributos você considera mais importante na sua aprovação no concurso?
M. Portela: Motivação, dedicação e ser bem orientado.
Fábio: Dedicação (suar a camisa e ter humildade é fundamental), otimismo (acreditar em você mesmo é muito importante) e foco (o aluno deve saber o que vale a pena e o que não vale. Dica: veja o padrão das provas passadas, vai saber o que sempre exigem).
22. Se pudesse resumir o seu ano de esforço para passar no concurso em uma frase, que frase seria?
M. Portela: Mantenha-se motivado sempre.
Fábio: Quando a pessoa tem certeza de onde quer chegar, acredita que é capaz e dedica suas energias para tal, a vitória logo chegará.
23. Mensagem final aos futuros ITEanos
Fábio: Caros candidatos, saudações de, quem sabe, um futuro veterano!
Aqueles que quiserem mais informações podem perguntar através do meu amigo Humberto.
Abraço.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Projeto H2A Entrevista: IME Reserva
Meus queridos,
continuando a série de entrevista do projeto "H2A Entrevista", hoje temos as respostas do pessoal formado no IME, optante pela carreira da Reserva. Com direito a presença internacional e outras praticamente internacionais.
Vale observar que os formados são da turma 2003, época em que o regime era diferente do atual.
Na época em que nossa turma estava lá, os alunos da reserva eram alunos militares, usando farda, cortando o cabelo, etc.. Só não eram promovidos a 1° Ten no 5° ano e, após a formatura, seguiam suas vidas no mercado de trabalho.
Atualmente, os alunos da reserva cumprem o 1° ano com atividades militares, para ser equivalente ao NPOR. Do 2° ano em diante, os alunos são totalmente civis, livres das obrigações militares. É o melhor modelo? Não sei. Vejam as respostas deles e avaliem se a vida militar foi boa ou ruim para cada um.
Mais uma vez, agradeço do fundo do meu coração aos 3 amigos, colegas de turma, que responderam a entrevista. Meu carinho por esses caras é diferente do carinho pelos meus outros amigos. Os 3 entrevistados de hj + Tosta e Hopfinger (IME Ativa) + outros caras da nossa turma formam na verdade uma segunda família. Os laços de amizade ultrapassam qualquer comparação que eu possa tentar fazer. Só quem vive um regime como o de uma escola militar pra ter idéia do nível de amizade e companheirismo que nós atingimos. Não dá nem pra chamar de amigo, a gente precisa se chamar é de irmão mesmo. Meus sinceros agradecimentos aos 3 que responderam esta entrevista, aos 2 irmãos da entrevista da Ativa e aos outros membros desta família, por fazerem parte da minha vida.
Vamos à entrevista!

Entrevistados: João Ambra, Leonardo Coelho e um IMEano que preferiu não se identificar.
1. Qual a sua turma de formação e sua especialidade?
João - Engenharia de Computação – Turma de 2003
Leonardo - Engenharia de Computação – Turma de 2003
IMEano - Engenharia de Computação – Turma de 2003
2. Onde trabalha atualmente (local e empresa)? Em que função?
João - Modulo Security, Filial New York, Director of technical services.
Leonardo - The Spemsa Group – Diretor Executivo
IMEano - Multinacional de Tecnologia da Informação, Brasília, Arquiteteto de Software
3. Está satisfeito com seu trabalho? Acha que o seu aprendizado durante a formação está sendo realmente empregado na sua vida profissional?
João - Sim estou muito satisfeito, desde criança sempre quis trabalhar computadores e já na adolescência comecei a me interessar particularmente pela área de segurança de informação.
Com certeza tenho aplicado meu aprendizado de formação. E gostaria de dividir esse aprendizado em duas áreas. A primeira que é a aplicação direta do conhecimento adquirido durante a formação, o qual aconteceu várias vezes, e normalmente a única lembrada. Como por exemplo, aplicação de conhecimentos de redes e lógica de programação que utilizarem em projetos de segurança. A segunda, normalmente esquecida, que é a aplicação indireta dos conhecimentos adquiridos. Hoje não tenho que resolver um problema de Física II para semana que vem, mas tenho um problema em um cliente que também tem data para ser resolvido, tem que ser resolvido de maneira correta (nota alta), e alem da pressão dos outros problemas na fila que também precisam de resposta (outras matérias). Além dos aspectos humanos, como trabalho em equipe e outros.
Leonardo - Sim/ Sim
IMEano - Sim, gosto muito do que faço. Acredito que, na verdade, apenas 30% do conhecimento técnico que você aprende na faculdade você utiliza no dia-dia. Porém, a faculdade te ensina principalmente a APRENDER sozinho, isso é o fundamental no mercado de trabalho atual. Outros conceitos que aprendi no IME, tais como “Missão dada, missão cumprida”, “Quem sai junto, chega junto”, entre outros, me tornam um profissional diferenciado no mercado.
4. Em uma escala de 0 a 10, onde 0 é “nada satisfeito” e 10 é “totalmente satisfeito”, como você classificaria a sua situação em relação ao seu salário?
João - 9 –Se meu chefe ler isso não recebo mais aumento.
Leonardo - 7.
IMEano - 6. É bom, mas podia ser melhor.
5. Você viaja muito a trabalho? Acha isso bom ou ruim?
João - Esse ano, após o nascimento do meu filho, comecei a diminuir a quantidade de viagens. Mas já viajei bastante, nacionalmente nos EUA e internacionalmente. Cheguei a acumular mais 300 mil milhas nos últimos 3 anos. Gosto de viajar, conheço lugares novos, novas culturas e diferentes visões para um mesmo problema.
Leonardo - Sim, viajo quase semana sim, semana não. Quando solteiro, gostava mais. Agora confesso que me incomoda um pouco. Outra coisa que me incomodava muito era o fato de não conseguir fazer exercícios físicos, mas acabei conseguindo arrumar alternativas com academias próximas aos locais onde normalmente fico.
IMEano - Sim. Tem seus pontos positivos e negativos. Positivos: muito legal conhecer pessoas de todo o país, culturas diferentes/necessidades diferentes e o fato de não ter uma rotina (fora o lado de acumular milhas). Negativos: ausência de casa, cansaço devido a vida corrida e a dificuldade de realizar atividades que exijam rotina (academia, cursos e etc).
6. Qual é a razão pela qual escolheram a sua escola de formação? Era sua primeira opção?
João - Naquela época, meus pais não tinham condição de pagar por uma faculdade privada. Com isso acabei prestando apenas para USP, UNICAMP, IME e ITA.
ITA era a minha primeira opção. Eu fiz curso em SP e estava muito mais próximo do ITA, mas já durante a adaptação do IME, antes mesmo de sair o resultado no ITA já me perguntava qual escolheria se eu passasse nas duas. Acabei não precisando escolher.
Leonardo – Sempre quis IME ou ITA, não fazia distinção entre as duas opções. Acabei preferindo o IME por não querer sair do Rio de Janeiro.
IMEano - Pensei em fazer ITA ou IME. Acredito que ITA era primeira opção por ser mais famoso no nordeste, todavia IME para mim era uma boa opção por ter família no Rio de Janeiro. Mas sempre gostei de carreira que envolvesse criação (publicidade, arquitetura e afins), porém acabei indo para o IME devido a reputação da faculdade. Hoje trabalho com Computação, mas realizando diversas palestras por todo o Brasil com foco de vendas de software. Durante minhas palestras acabo exercitando meu lado criativo durante o processo de vendas.
7. Você fez cursinho? Quantos anos?
João – Fiz 1 ano de Turma IME/ITA.
Leonardo - Não fiz cursinho, fui direto do colégio para o IME.
IMEano - Na realidade fiz 6 Meses de turma IME/ITA no 3º. Ano em Fortaleza.
8. Você costumava sair no ano do concurso? Como era sua vida social?
João – Não Muito. Na turma IME/ITA era internato. Lembro de nos 15 dias de férias de julho ter ido para Salvador; nas noites de segunda, rolava cinema no shopping e raras noitadas no ano. Tínhamos aula todos os dias e teria que ir virado para o simulado de domingo.
Leonardo - Não, saía muito pouco desde o segundo ano, quando comecei minha preparação para o IME. Confesso que saía uma ou outra vez no mês e olhe lá, estava muito focado na minha formação na época.
IMEano - Acabei diminuindo pois estava focado no concurso, mas continuava saindo com namorada e amigos. Vida social é fundamental em qualquer fase da sua vida, em alguns momentos você vai fazerr em maior ou menor quantidade. Acredito que fundamental é PLANEJAMENTO e DISCIPLINA.
9. O que você não gostou dentro da sua escola de formação?
João – Sou um cara muito positivo e esqueço rápido as coisas ruins da vida, não tenho nenhuma coisa que não tenha gostado que valha compartilhar.
Leonardo - Durante os anos de IME, a pressão da vida militar me desgastou muito. Hoje vejo com muito bons olhos, pois deixou como legado uma capacidade de resistir à pressão e conciliar atividades diversas ao mesmo tempo. Acredito que isto diferencia o aluno do IME. Não gostei também da dificuldade que era estagiar na época, o que dificultava o contato com o mercado de trabalho. No final das contas, acabei começando estágio já no terceiro ano. Ponto positivo para o fato de obter uma grana extra e ter experiência profissional, ponto negativo pois tornou a faculdade ainda mais complicada e o tempo mais escasso ainda.
IMEano - Como entrei no IME em uma época que estava fechado para o mercado, e a pouca interação com o mercado acho que dificultou minha vida. Como não tinha a faculdade para fazer esse meio de campo, tive que ir atrás sozinho.
10. Como é a cobrança de treinamento físico durante o curso de formação? As provas físicas valem para a nota final?
João - A cobrança era bem razoável, mas acho que foi bom. Nunca estive em melhor condicionamento físico. No IME as provas físicas valem para a nota final.
Leonardo - Valem para nota final, mas basta ter uma condição física bem razoável para tirar de letra. Estressa por ser mais uma preocupação, foram inúmeras as noites mal dormidas (menos de 4 horas de sono, às vezes menos de 1h) seguidas de corridas pela Urca. Isto desgasta, mas a meu ver o aluno do IME acaba vendo os grandes desafios do dia-a-dia de trabalho como algo mais tranqüilo que a maioria dos profissionais por conta de tudo que passamos durante a graduação.
Nota do H2A: Como já expliquei lá no início, atualmente os alunos da Reserva não cumprem as atividades a partir do 2° ano. Logo, não existe cobrança física.
11. Muitos alunos ficam reprovados durante o curso? Lá dentro, pode repetir uma matéria ou o ano?
João - No IME não se pode repetir nenhuma matéria, se você for correr risco de repetir, a única opção é trancar todo o semestre e fazer todas as matérias de novo.
Leonardo - Repete-se todo um ano. Não são muitos os alunos reprovados, mas todo semestre um ou outro fica no caminho.
12. Muitos alunos desistem durante o curso?
João - Houve alguns poucos que desistiram do curso. Na minha opinião, muito mais por opção do que por não conseguir passar nas provas.
Leonardo - Sobretudo no primeiro ano. Ao longo do curso são raros os que desistem.
13. Durante a formação no IME, você estudou mais ou menos do que para passar no concurso?
João – Pergunta difícil, mas acho que durante os anos estudei menos no IME do que para passar embora também tenha estudado muito no IME.
Leonardo – Muitíssimo mais, sem comparação. A menos que você seja um gênio, quando chega lá dentro o nível de exigência sobe para muito além do que você está acostumado na época de colégio.
IMEano - O estudo durante o curso é diferente. É um estudo mais focado e direcionado para as provas (não sirvo de exemplo para ninguém, foi apenas uma opção minha durante o curso). Logo estudava muito durante as vésperas de prova, mas muito direcionado para a prova, não a matéria como um todo. Diferente da época do concurso que tinha que ser mais genérico. Duante o IME, aprendi a estudar (essa é a verdade), mas tudo é uma questão de opção sua, tinha gente que estudava tanto ou mais do que na época do concurso.
14. Como é a vida na faculdade, as relações entre seus colegas, os estudos, as responsabilidades?
João – Isso é uma coisa que acho que diferencia de qualquer outra faculdade. As relações com meus amigos do IME são para sempre. Já estou formado há mais de 6 anos, moro nos EUA e mesmo assim não perdi contato com grande parte deles. Eles vêm me visitar aqui, quando vou ao Brasil nos encontramos, são amizades sólidas. Passamos por varias dificuldades juntos, estudos de madrugada, acampamentos militares e outros testes de resistência. A responsabilidade aumenta, pois se vc não passar de ano, não tem jeito.
Leonardo – O dia-a-dia é corrido, muitas atividades, provas, trabalhos, leitura, etc. Mas não é preciso estudar o tempo todo, longe disto. Dá para se divertir, sair com os amigos, levar uma vida normal numa boa. O coleguismo é grande, é um ambiente bom para gerar amizades para toda a vida.
IMEano - Hoje, o que eu sinto mais saudade é dessas relações. No IME criei irmãos para a vida inteira. Pessoas que mesmo distante hoje, são pessoas que fazem parte da sua vida. Não só com alunos, como também com professores (muito dos meus professores são grandes amigos que possuo contato ainda hoje). Essa amizade me ajudou a levar o IME numa boa, sem tanto stress. O fundamental é entender a “regra do jogo”, saber o que você tem que fazer e o que você pode fazer. Responsabilidade você terá toda hora, desde provas e trabalhos, até mesmo as responsabilidades da vida devido à distância da sua casa. Mas são essas responsabilidades que irão te fazer crescer, que vai te amadurecer para o mercado de trabalho/vida. No final o que fica vai ser o capital intelectual que você vai adquirir e as amizades.
15. Como é estar longe de casa e não ter pai nem mãe pra fazer as coisas pra você?
João – Para mim foi tranqüilo, já morava fora de casa durante o cursinho. Mas isso é uma coisa muito pessoal, tive amigos que não gostavam muito dessa situação.
Leonardo – Não foi meu caso, pois sou carioca e sempre estive perto dos meus pais. Os amigos de fora sentiam muito isto e eles se uniam ainda mais na amizade gerada entre os que compartilhavam quarto e a saudade de parentes distantes. É mais um sofrimento, sem dúvida, mas a maioria supera e se orgulha muito disto.
IMEano - Um grande aprendizado e faz com que seus amigos de turmas se tornem sua família. Todo mundo te ajuda a caminhar no dia-dia e são essas pessoas que vão suprir a ausência da família.
16. Rola sempre aquela história de que o ITA é melhor que o IME. Você concorda ou discorda? Por quê?
João – Eu acho que cada um tem diferentes vantagens e desvantagens, cada um tem que saber qual curso será melhor no seu caso. Tenho certeza que o IME foi o melhor para mim. Morei no interior de SP e no Rio de Janeiro e me identifico muito mais com o Rio. Foi uma experiência muito boa a parte militar do IME, a qual é diferente da do ITA. Os estágios que consegui no IME não conseguiria no ITA, e provavelmente não estaria na Modulo se estivesse em SP. Cada um deve julgar qual se identifica mais e escolher.
Leonardo – O ITA é nitidamente melhor no que concerne à colocação no mercado de trabalho. A associação de ex-alunos deles é vigorosa, e existe um histórico de alunos bem sucedidos que ajudam uns aos outros. O contato feito entre ex-alunos de IME é mais informal, mas também existem muitos ex-alunos bem sucedidos e que ficam muito felizes em abrir portas para colegas. No contexto da faculdade, estar ao lado do Pão de Açúcar numa cidade de clima tão agradável quanto o Rio de Janeiro é uma vantagem inestimável. E em termos de estudo, acredito que se igualam.
IMEano - Discordo. Não existe escola melhor ou pior. Não tenho dúvida que o ITA é mais conhecido no resto do Brasil, porém no próprio Rio de Janeiro, acredito que o diploma do IME ajuda tanto (ou mais) do que o do ITA. As pessoas só irão avaliar seu diploma na hora de te contratar, depois é todo mundo igual. O que você aprende na faculdade, depende muito mais de você do que da própria escola (todas possuem professores bons e ruins). Tanto IME como ITA são referências no Brasil e possuem apenas alunos de alto nível, logo exigirão o mesmo do seus alunos em termos intelectuais. Para mim, o IME me ajudou muito quando falo em termos de educação militar. Por mais que eu era reserva (na minha época reserva era militar do mesmo jeito), aprendi muito com o militarismo, entre eles o conceito de “Missão dada, missão cumprida!”.
17. A escolha entre as engenharias sempre gera dúvida. Qual foi o maior motivo de você ter escolhido a sua?
João – Já tinha escolhido Engenharia de Computação desde o colegial, nunca fiquei em duvida. Simplesmente sabia.
Leonardo – Flexibilidade para mudanças de carreira no futuro. Tendência do mercado e identificação. No final das contas, acredito que identificar-se com a engenharia é o que mais deve influenciar, pois fazer algo que você não vai gostar vai acarretar muitos problemas no futuro. Em termos de oportunidades e dinheiro, deve-se relaxar, engenheiros têm uma chance muito grande de serem bem sucedidos financeiramente, sobretudo formados no IME.
IMEano - Entrei no IME pensando fazer Construção pois já estava cursando Arquitetura antes de entrar no IME. Todavia no começo do 3º. Ano optei ir para Computação, pois já tinha afinidade com computadores, pois já programava desde os 13 anos. Logo foi uma decisão muito mais baseada em afinidade do que qualquer outro motivo. A dica que eu dou é: pense no que você vai querer fazer depois de formado, pesquise o dia-dia de um engenheiro na especialidade que te interessa, como anda o mercado de trabalho e etc.
18. Quais são as vantagens e desvantagens de escolher Reserva? Qual é a melhor vantagem de todas? Por que você não escolheu entrar na Ativa?
João – Também acho que isso é muito pessoal, existem pessoas que preferem a Ativa e ter uma segurança maior do que o mercado privado, mesmo que, em alguns casos, os limites sejam menores. Particularmente prefiro o mercado privado, mais arriscado, mas com maiores potenciais de retorno. Já trabalhei em instituições públicas e privadas, e após testar as duas, pude tomar minha decisão, recomendo quem tenha essa dúvida tente estagiar nos dois para decidir.
Leonardo – Uma vantagem clara é receber salário de oficial ainda no último ano da faculdade. Seguir a carreira militar significa estabilidade e garantia de um nível razoável de qualidade de vida. Porém, eu não gostei da rigidez do militarismo e muitas vezes como militar, ainda que sendo engenheiro, você acumula funções administrativas, acaba não exercendo suas funções de engenheiro. Além do mais, em menos de 1 ano de formado é possível ter um nível salarial mais alto que o equivalente ao de oficial do Exército. E fazendo um concurso público, alguns colegas conseguem a mesma estabilidade, salários mais altos e atividades mais alinhadas com sua formação.
IMEano - Desvantagem: a incerteza do futuro é muito maior do que na Ativa. Mas o futuro só depende de você. Outro ponto é que se você optar por trabalhar no mercado privado você terá uma vida mais corrida e agitada, já na ativa ou mesmo fazendo concurso público, provavelmente você terá uma vida mais tranquila, sem tanto stress (apesar que toda regra tem sua exceção).
Vantagem: Seu teto salarial é mais alto, sua capacidade de aplicar o conhecimento que você aprendeu é muito maior (se você optou por seguir a carreira da sua especialidade).
Principal: Acredito que na reserva você fica mais antenado com o que acontece de inovação no mundo, do que na ativa (apesar de toda regra ter sua exceção).
Minha escolha foi muito mais por não conhecer a carreira militar do que por outro motivo. No 4º. Ano cogitei até mudar para Ativa, pois teria que pagar mais 2 anos após o término da faculdade. Como não consegui mudar, acabei ficando na Reserva, que hoje eu não me arrependo. Mas tenho grandes amigos que estão muito bem na Ativa. O fundamental é direcionar sua carreira para fazer o que gosta, e tem como fazer isso tanto na ativa como na Reserva.
19. Depois de formado dá para seguir a área de engenharia ou é mais comum ir para outros empregos?
João – Acho que sim, se realmente essa for a sua vontade você pode continuar trabalhando em engenharia.
Leonardo – É bem mais comum você perceber que a engenharia é apenas a base de sua formação. Ganha-se muito mais dinheiro e cresce-se muito mais profissionalmente alinhando os conhecimentos básicos de engenheiros a outras demandas do mercado, como gestão de negócios, marketing, vendas, finanças, etc. Obviamente, isto não é regra, muitos exercem suas funções de engenheiro de forma pura e são tremendamente bem sucedidos. Mas a maioria acaba migrando para outras áreas.
IMEano - Existem os dois caminhos. Eu segui a engenharia e não me arrependo. Você tem que ir para o lado que mais te dar prazer, mas sempre planeje seu futuro, traçando metas a curtos e médio prazo, para garantir que você vai chegar aonde você quer. Sempre pense: o que eu tenho que fazer para chegar lá?
20. Existe chance de empresas do exterior "buscarem" alunos?
João – Sempre existem chances de empresas buscarem alunos, mas se você pretende morar no exterior não recomendo ficar esperando surgir uma vaga para se candidatar. Existem complicações de visto e culturais que dificultam para empresas do exterior levarem brasileiros. Então se você realmente quer morar fora do Brasil eu recomendo que você comece com algum curso no exterior, se necessário por conta própria, e começar a criar seu network internacional, você terá mais opções do que ser transferido diretamente. Trabalhar em Multinacionais também é uma opção e foi o meu caso, tem menos risco, mas também são poucas oportunidades.
Leonardo - Buscarem não sei dizer, mas com certeza os alunos têm toda a bagagem e preparação para buscarem empresas do exterior. Muitos ex-alunos concluíram a faculdade e em menos de dois anos iniciaram formações no exterior, incluindo renomadas faculdades dos EUA e Europa. E em seguida iniciaram uma carreira no exterior.
IMEano - Sim, mas é fundamental ter uma experiência primeiro aqui no Brasil, antes de se aventurar lá fora. Mas vejo dois caminhos mais simples para quem deseja ir para fora: a primeira seria pelo meio academico, fazer mestrado, MBA ou doutorado lá fora; a segunda seria assim que se formar entrar numa multinacional, que tem muitas vagas lá fora, aí com o tempo é mais fácil você arrumar transferência para lá, do que entrar por fora.
21. Quais atributos você considera mais importante na sua aprovação no concurso?
João – Determinação. Existem momentos que dá vontade de desistir, mas se você realmente acreditar que vale a pena ralar tudo isso, e pode ter certeza que vale, você vai chegar lá.
Leonardo – Diligência no estudo de todas as matérias, pois não adianta nada obter uma excelente nota em matemática e não obter nota mínima em português. E uma preparação básica que durou 2 anos com foco claro, abrangendo todo o conteúdo necessário sem deixar escapar nada.
IMEano – Planejamento, Foco e Disciplina.
22. Se pudesse resumir o seu ano de esforço para passar no concurso em uma frase, que frase seria?
João – Queria poder dizer algo diferente, mas na prática o estudo é cumulativo, quando mais você estudar, mais você estará preparado. E se você ainda não esta vendo resultado do seu esforço, é porque ainda não acumulou o suficiente. Continue estudando, que você verá o resultado. Se você já esta notando o resultado, não diminua o ritmo, pois a corrida ainda não acabou!
Leonardo – Foco e dedicação. Esqueça este ano, ele se pagará ao longo da vida. Foque e seja aprovado logo.
IMEano - Planejar: trace metas a curto e médio prazo para sua aprovação. Se pergunte: O que eu preciso fazer para passar? Quais são meus “gaps” de conhecimento? O que eu tenho que focar? Trace objetivos a curto prazo, planeje suas atividades diárias (não precisa marcar hora para dormir e comer, não vire escravo do tempo, faça esse planejamento de tal forma que seja agradável para você). E tente sempre que possível rever seu planejamento, com certeza ele irá mudar. Não esqueça de planejar atividades lúdicas, elas serão fundamentais para seu cérebro funcionar melhor.
Foco: Sempre lembre do seu objetivo final. Não queira abraçar o mundo, foque naquilo que é preciso para alcançar seu objetivo. O ótimo é inimigo do bom.
Disciplina: Baseado no seu planejamento, cumpra, siga seu plano, tenha CONTROLE do seu estudo.
Mensagem final aos futuros engenheiros.
Pensem que a Engenharia é uma formação básica muito forte e diferencial para toda sua vida. É sua primeira formação, muito se vai aprender com a experiência de trabalho e outros estudos. A engenharia por si só não irá garantir seu sucesso. É preciso dedicação, foco, pró-atividade, bom relacionamento, valorização do conhecimento/ aprendizado e dedicação a criar laços fortes com as pessoas que passam por sua vida. Vocês estão apenas começando e existe um caminho enorme, com muitas possibilidades e também percalços. Perseverem, pois o mais importante vocês já têm: um grande sonho. Não deixem de acreditar que podem realizá-lo, mas não esperem cair do céu. Nada virá por sorte.
continuando a série de entrevista do projeto "H2A Entrevista", hoje temos as respostas do pessoal formado no IME, optante pela carreira da Reserva. Com direito a presença internacional e outras praticamente internacionais.
Vale observar que os formados são da turma 2003, época em que o regime era diferente do atual.
Na época em que nossa turma estava lá, os alunos da reserva eram alunos militares, usando farda, cortando o cabelo, etc.. Só não eram promovidos a 1° Ten no 5° ano e, após a formatura, seguiam suas vidas no mercado de trabalho.
Atualmente, os alunos da reserva cumprem o 1° ano com atividades militares, para ser equivalente ao NPOR. Do 2° ano em diante, os alunos são totalmente civis, livres das obrigações militares. É o melhor modelo? Não sei. Vejam as respostas deles e avaliem se a vida militar foi boa ou ruim para cada um.
Mais uma vez, agradeço do fundo do meu coração aos 3 amigos, colegas de turma, que responderam a entrevista. Meu carinho por esses caras é diferente do carinho pelos meus outros amigos. Os 3 entrevistados de hj + Tosta e Hopfinger (IME Ativa) + outros caras da nossa turma formam na verdade uma segunda família. Os laços de amizade ultrapassam qualquer comparação que eu possa tentar fazer. Só quem vive um regime como o de uma escola militar pra ter idéia do nível de amizade e companheirismo que nós atingimos. Não dá nem pra chamar de amigo, a gente precisa se chamar é de irmão mesmo. Meus sinceros agradecimentos aos 3 que responderam esta entrevista, aos 2 irmãos da entrevista da Ativa e aos outros membros desta família, por fazerem parte da minha vida.
Vamos à entrevista!

Entrevistados: João Ambra, Leonardo Coelho e um IMEano que preferiu não se identificar.
1. Qual a sua turma de formação e sua especialidade?
João - Engenharia de Computação – Turma de 2003
Leonardo - Engenharia de Computação – Turma de 2003
IMEano - Engenharia de Computação – Turma de 2003
2. Onde trabalha atualmente (local e empresa)? Em que função?
João - Modulo Security, Filial New York, Director of technical services.
Leonardo - The Spemsa Group – Diretor Executivo
IMEano - Multinacional de Tecnologia da Informação, Brasília, Arquiteteto de Software
3. Está satisfeito com seu trabalho? Acha que o seu aprendizado durante a formação está sendo realmente empregado na sua vida profissional?
João - Sim estou muito satisfeito, desde criança sempre quis trabalhar computadores e já na adolescência comecei a me interessar particularmente pela área de segurança de informação.
Com certeza tenho aplicado meu aprendizado de formação. E gostaria de dividir esse aprendizado em duas áreas. A primeira que é a aplicação direta do conhecimento adquirido durante a formação, o qual aconteceu várias vezes, e normalmente a única lembrada. Como por exemplo, aplicação de conhecimentos de redes e lógica de programação que utilizarem em projetos de segurança. A segunda, normalmente esquecida, que é a aplicação indireta dos conhecimentos adquiridos. Hoje não tenho que resolver um problema de Física II para semana que vem, mas tenho um problema em um cliente que também tem data para ser resolvido, tem que ser resolvido de maneira correta (nota alta), e alem da pressão dos outros problemas na fila que também precisam de resposta (outras matérias). Além dos aspectos humanos, como trabalho em equipe e outros.
Leonardo - Sim/ Sim
IMEano - Sim, gosto muito do que faço. Acredito que, na verdade, apenas 30% do conhecimento técnico que você aprende na faculdade você utiliza no dia-dia. Porém, a faculdade te ensina principalmente a APRENDER sozinho, isso é o fundamental no mercado de trabalho atual. Outros conceitos que aprendi no IME, tais como “Missão dada, missão cumprida”, “Quem sai junto, chega junto”, entre outros, me tornam um profissional diferenciado no mercado.
4. Em uma escala de 0 a 10, onde 0 é “nada satisfeito” e 10 é “totalmente satisfeito”, como você classificaria a sua situação em relação ao seu salário?
João - 9 –Se meu chefe ler isso não recebo mais aumento.
Leonardo - 7.
IMEano - 6. É bom, mas podia ser melhor.
5. Você viaja muito a trabalho? Acha isso bom ou ruim?
João - Esse ano, após o nascimento do meu filho, comecei a diminuir a quantidade de viagens. Mas já viajei bastante, nacionalmente nos EUA e internacionalmente. Cheguei a acumular mais 300 mil milhas nos últimos 3 anos. Gosto de viajar, conheço lugares novos, novas culturas e diferentes visões para um mesmo problema.
Leonardo - Sim, viajo quase semana sim, semana não. Quando solteiro, gostava mais. Agora confesso que me incomoda um pouco. Outra coisa que me incomodava muito era o fato de não conseguir fazer exercícios físicos, mas acabei conseguindo arrumar alternativas com academias próximas aos locais onde normalmente fico.
IMEano - Sim. Tem seus pontos positivos e negativos. Positivos: muito legal conhecer pessoas de todo o país, culturas diferentes/necessidades diferentes e o fato de não ter uma rotina (fora o lado de acumular milhas). Negativos: ausência de casa, cansaço devido a vida corrida e a dificuldade de realizar atividades que exijam rotina (academia, cursos e etc).
6. Qual é a razão pela qual escolheram a sua escola de formação? Era sua primeira opção?
João - Naquela época, meus pais não tinham condição de pagar por uma faculdade privada. Com isso acabei prestando apenas para USP, UNICAMP, IME e ITA.
ITA era a minha primeira opção. Eu fiz curso em SP e estava muito mais próximo do ITA, mas já durante a adaptação do IME, antes mesmo de sair o resultado no ITA já me perguntava qual escolheria se eu passasse nas duas. Acabei não precisando escolher.
Leonardo – Sempre quis IME ou ITA, não fazia distinção entre as duas opções. Acabei preferindo o IME por não querer sair do Rio de Janeiro.
IMEano - Pensei em fazer ITA ou IME. Acredito que ITA era primeira opção por ser mais famoso no nordeste, todavia IME para mim era uma boa opção por ter família no Rio de Janeiro. Mas sempre gostei de carreira que envolvesse criação (publicidade, arquitetura e afins), porém acabei indo para o IME devido a reputação da faculdade. Hoje trabalho com Computação, mas realizando diversas palestras por todo o Brasil com foco de vendas de software. Durante minhas palestras acabo exercitando meu lado criativo durante o processo de vendas.
7. Você fez cursinho? Quantos anos?
João – Fiz 1 ano de Turma IME/ITA.
Leonardo - Não fiz cursinho, fui direto do colégio para o IME.
IMEano - Na realidade fiz 6 Meses de turma IME/ITA no 3º. Ano em Fortaleza.
8. Você costumava sair no ano do concurso? Como era sua vida social?
João – Não Muito. Na turma IME/ITA era internato. Lembro de nos 15 dias de férias de julho ter ido para Salvador; nas noites de segunda, rolava cinema no shopping e raras noitadas no ano. Tínhamos aula todos os dias e teria que ir virado para o simulado de domingo.
Leonardo - Não, saía muito pouco desde o segundo ano, quando comecei minha preparação para o IME. Confesso que saía uma ou outra vez no mês e olhe lá, estava muito focado na minha formação na época.
IMEano - Acabei diminuindo pois estava focado no concurso, mas continuava saindo com namorada e amigos. Vida social é fundamental em qualquer fase da sua vida, em alguns momentos você vai fazerr em maior ou menor quantidade. Acredito que fundamental é PLANEJAMENTO e DISCIPLINA.
9. O que você não gostou dentro da sua escola de formação?
João – Sou um cara muito positivo e esqueço rápido as coisas ruins da vida, não tenho nenhuma coisa que não tenha gostado que valha compartilhar.
Leonardo - Durante os anos de IME, a pressão da vida militar me desgastou muito. Hoje vejo com muito bons olhos, pois deixou como legado uma capacidade de resistir à pressão e conciliar atividades diversas ao mesmo tempo. Acredito que isto diferencia o aluno do IME. Não gostei também da dificuldade que era estagiar na época, o que dificultava o contato com o mercado de trabalho. No final das contas, acabei começando estágio já no terceiro ano. Ponto positivo para o fato de obter uma grana extra e ter experiência profissional, ponto negativo pois tornou a faculdade ainda mais complicada e o tempo mais escasso ainda.
IMEano - Como entrei no IME em uma época que estava fechado para o mercado, e a pouca interação com o mercado acho que dificultou minha vida. Como não tinha a faculdade para fazer esse meio de campo, tive que ir atrás sozinho.
10. Como é a cobrança de treinamento físico durante o curso de formação? As provas físicas valem para a nota final?
João - A cobrança era bem razoável, mas acho que foi bom. Nunca estive em melhor condicionamento físico. No IME as provas físicas valem para a nota final.
Leonardo - Valem para nota final, mas basta ter uma condição física bem razoável para tirar de letra. Estressa por ser mais uma preocupação, foram inúmeras as noites mal dormidas (menos de 4 horas de sono, às vezes menos de 1h) seguidas de corridas pela Urca. Isto desgasta, mas a meu ver o aluno do IME acaba vendo os grandes desafios do dia-a-dia de trabalho como algo mais tranqüilo que a maioria dos profissionais por conta de tudo que passamos durante a graduação.
Nota do H2A: Como já expliquei lá no início, atualmente os alunos da Reserva não cumprem as atividades a partir do 2° ano. Logo, não existe cobrança física.
11. Muitos alunos ficam reprovados durante o curso? Lá dentro, pode repetir uma matéria ou o ano?
João - No IME não se pode repetir nenhuma matéria, se você for correr risco de repetir, a única opção é trancar todo o semestre e fazer todas as matérias de novo.
Leonardo - Repete-se todo um ano. Não são muitos os alunos reprovados, mas todo semestre um ou outro fica no caminho.
12. Muitos alunos desistem durante o curso?
João - Houve alguns poucos que desistiram do curso. Na minha opinião, muito mais por opção do que por não conseguir passar nas provas.
Leonardo - Sobretudo no primeiro ano. Ao longo do curso são raros os que desistem.
13. Durante a formação no IME, você estudou mais ou menos do que para passar no concurso?
João – Pergunta difícil, mas acho que durante os anos estudei menos no IME do que para passar embora também tenha estudado muito no IME.
Leonardo – Muitíssimo mais, sem comparação. A menos que você seja um gênio, quando chega lá dentro o nível de exigência sobe para muito além do que você está acostumado na época de colégio.
IMEano - O estudo durante o curso é diferente. É um estudo mais focado e direcionado para as provas (não sirvo de exemplo para ninguém, foi apenas uma opção minha durante o curso). Logo estudava muito durante as vésperas de prova, mas muito direcionado para a prova, não a matéria como um todo. Diferente da época do concurso que tinha que ser mais genérico. Duante o IME, aprendi a estudar (essa é a verdade), mas tudo é uma questão de opção sua, tinha gente que estudava tanto ou mais do que na época do concurso.
14. Como é a vida na faculdade, as relações entre seus colegas, os estudos, as responsabilidades?
João – Isso é uma coisa que acho que diferencia de qualquer outra faculdade. As relações com meus amigos do IME são para sempre. Já estou formado há mais de 6 anos, moro nos EUA e mesmo assim não perdi contato com grande parte deles. Eles vêm me visitar aqui, quando vou ao Brasil nos encontramos, são amizades sólidas. Passamos por varias dificuldades juntos, estudos de madrugada, acampamentos militares e outros testes de resistência. A responsabilidade aumenta, pois se vc não passar de ano, não tem jeito.
Leonardo – O dia-a-dia é corrido, muitas atividades, provas, trabalhos, leitura, etc. Mas não é preciso estudar o tempo todo, longe disto. Dá para se divertir, sair com os amigos, levar uma vida normal numa boa. O coleguismo é grande, é um ambiente bom para gerar amizades para toda a vida.
IMEano - Hoje, o que eu sinto mais saudade é dessas relações. No IME criei irmãos para a vida inteira. Pessoas que mesmo distante hoje, são pessoas que fazem parte da sua vida. Não só com alunos, como também com professores (muito dos meus professores são grandes amigos que possuo contato ainda hoje). Essa amizade me ajudou a levar o IME numa boa, sem tanto stress. O fundamental é entender a “regra do jogo”, saber o que você tem que fazer e o que você pode fazer. Responsabilidade você terá toda hora, desde provas e trabalhos, até mesmo as responsabilidades da vida devido à distância da sua casa. Mas são essas responsabilidades que irão te fazer crescer, que vai te amadurecer para o mercado de trabalho/vida. No final o que fica vai ser o capital intelectual que você vai adquirir e as amizades.
15. Como é estar longe de casa e não ter pai nem mãe pra fazer as coisas pra você?
João – Para mim foi tranqüilo, já morava fora de casa durante o cursinho. Mas isso é uma coisa muito pessoal, tive amigos que não gostavam muito dessa situação.
Leonardo – Não foi meu caso, pois sou carioca e sempre estive perto dos meus pais. Os amigos de fora sentiam muito isto e eles se uniam ainda mais na amizade gerada entre os que compartilhavam quarto e a saudade de parentes distantes. É mais um sofrimento, sem dúvida, mas a maioria supera e se orgulha muito disto.
IMEano - Um grande aprendizado e faz com que seus amigos de turmas se tornem sua família. Todo mundo te ajuda a caminhar no dia-dia e são essas pessoas que vão suprir a ausência da família.
16. Rola sempre aquela história de que o ITA é melhor que o IME. Você concorda ou discorda? Por quê?
João – Eu acho que cada um tem diferentes vantagens e desvantagens, cada um tem que saber qual curso será melhor no seu caso. Tenho certeza que o IME foi o melhor para mim. Morei no interior de SP e no Rio de Janeiro e me identifico muito mais com o Rio. Foi uma experiência muito boa a parte militar do IME, a qual é diferente da do ITA. Os estágios que consegui no IME não conseguiria no ITA, e provavelmente não estaria na Modulo se estivesse em SP. Cada um deve julgar qual se identifica mais e escolher.
Leonardo – O ITA é nitidamente melhor no que concerne à colocação no mercado de trabalho. A associação de ex-alunos deles é vigorosa, e existe um histórico de alunos bem sucedidos que ajudam uns aos outros. O contato feito entre ex-alunos de IME é mais informal, mas também existem muitos ex-alunos bem sucedidos e que ficam muito felizes em abrir portas para colegas. No contexto da faculdade, estar ao lado do Pão de Açúcar numa cidade de clima tão agradável quanto o Rio de Janeiro é uma vantagem inestimável. E em termos de estudo, acredito que se igualam.
IMEano - Discordo. Não existe escola melhor ou pior. Não tenho dúvida que o ITA é mais conhecido no resto do Brasil, porém no próprio Rio de Janeiro, acredito que o diploma do IME ajuda tanto (ou mais) do que o do ITA. As pessoas só irão avaliar seu diploma na hora de te contratar, depois é todo mundo igual. O que você aprende na faculdade, depende muito mais de você do que da própria escola (todas possuem professores bons e ruins). Tanto IME como ITA são referências no Brasil e possuem apenas alunos de alto nível, logo exigirão o mesmo do seus alunos em termos intelectuais. Para mim, o IME me ajudou muito quando falo em termos de educação militar. Por mais que eu era reserva (na minha época reserva era militar do mesmo jeito), aprendi muito com o militarismo, entre eles o conceito de “Missão dada, missão cumprida!”.
17. A escolha entre as engenharias sempre gera dúvida. Qual foi o maior motivo de você ter escolhido a sua?
João – Já tinha escolhido Engenharia de Computação desde o colegial, nunca fiquei em duvida. Simplesmente sabia.
Leonardo – Flexibilidade para mudanças de carreira no futuro. Tendência do mercado e identificação. No final das contas, acredito que identificar-se com a engenharia é o que mais deve influenciar, pois fazer algo que você não vai gostar vai acarretar muitos problemas no futuro. Em termos de oportunidades e dinheiro, deve-se relaxar, engenheiros têm uma chance muito grande de serem bem sucedidos financeiramente, sobretudo formados no IME.
IMEano - Entrei no IME pensando fazer Construção pois já estava cursando Arquitetura antes de entrar no IME. Todavia no começo do 3º. Ano optei ir para Computação, pois já tinha afinidade com computadores, pois já programava desde os 13 anos. Logo foi uma decisão muito mais baseada em afinidade do que qualquer outro motivo. A dica que eu dou é: pense no que você vai querer fazer depois de formado, pesquise o dia-dia de um engenheiro na especialidade que te interessa, como anda o mercado de trabalho e etc.
18. Quais são as vantagens e desvantagens de escolher Reserva? Qual é a melhor vantagem de todas? Por que você não escolheu entrar na Ativa?
João – Também acho que isso é muito pessoal, existem pessoas que preferem a Ativa e ter uma segurança maior do que o mercado privado, mesmo que, em alguns casos, os limites sejam menores. Particularmente prefiro o mercado privado, mais arriscado, mas com maiores potenciais de retorno. Já trabalhei em instituições públicas e privadas, e após testar as duas, pude tomar minha decisão, recomendo quem tenha essa dúvida tente estagiar nos dois para decidir.
Leonardo – Uma vantagem clara é receber salário de oficial ainda no último ano da faculdade. Seguir a carreira militar significa estabilidade e garantia de um nível razoável de qualidade de vida. Porém, eu não gostei da rigidez do militarismo e muitas vezes como militar, ainda que sendo engenheiro, você acumula funções administrativas, acaba não exercendo suas funções de engenheiro. Além do mais, em menos de 1 ano de formado é possível ter um nível salarial mais alto que o equivalente ao de oficial do Exército. E fazendo um concurso público, alguns colegas conseguem a mesma estabilidade, salários mais altos e atividades mais alinhadas com sua formação.
IMEano - Desvantagem: a incerteza do futuro é muito maior do que na Ativa. Mas o futuro só depende de você. Outro ponto é que se você optar por trabalhar no mercado privado você terá uma vida mais corrida e agitada, já na ativa ou mesmo fazendo concurso público, provavelmente você terá uma vida mais tranquila, sem tanto stress (apesar que toda regra tem sua exceção).
Vantagem: Seu teto salarial é mais alto, sua capacidade de aplicar o conhecimento que você aprendeu é muito maior (se você optou por seguir a carreira da sua especialidade).
Principal: Acredito que na reserva você fica mais antenado com o que acontece de inovação no mundo, do que na ativa (apesar de toda regra ter sua exceção).
Minha escolha foi muito mais por não conhecer a carreira militar do que por outro motivo. No 4º. Ano cogitei até mudar para Ativa, pois teria que pagar mais 2 anos após o término da faculdade. Como não consegui mudar, acabei ficando na Reserva, que hoje eu não me arrependo. Mas tenho grandes amigos que estão muito bem na Ativa. O fundamental é direcionar sua carreira para fazer o que gosta, e tem como fazer isso tanto na ativa como na Reserva.
19. Depois de formado dá para seguir a área de engenharia ou é mais comum ir para outros empregos?
João – Acho que sim, se realmente essa for a sua vontade você pode continuar trabalhando em engenharia.
Leonardo – É bem mais comum você perceber que a engenharia é apenas a base de sua formação. Ganha-se muito mais dinheiro e cresce-se muito mais profissionalmente alinhando os conhecimentos básicos de engenheiros a outras demandas do mercado, como gestão de negócios, marketing, vendas, finanças, etc. Obviamente, isto não é regra, muitos exercem suas funções de engenheiro de forma pura e são tremendamente bem sucedidos. Mas a maioria acaba migrando para outras áreas.
IMEano - Existem os dois caminhos. Eu segui a engenharia e não me arrependo. Você tem que ir para o lado que mais te dar prazer, mas sempre planeje seu futuro, traçando metas a curtos e médio prazo, para garantir que você vai chegar aonde você quer. Sempre pense: o que eu tenho que fazer para chegar lá?
20. Existe chance de empresas do exterior "buscarem" alunos?
João – Sempre existem chances de empresas buscarem alunos, mas se você pretende morar no exterior não recomendo ficar esperando surgir uma vaga para se candidatar. Existem complicações de visto e culturais que dificultam para empresas do exterior levarem brasileiros. Então se você realmente quer morar fora do Brasil eu recomendo que você comece com algum curso no exterior, se necessário por conta própria, e começar a criar seu network internacional, você terá mais opções do que ser transferido diretamente. Trabalhar em Multinacionais também é uma opção e foi o meu caso, tem menos risco, mas também são poucas oportunidades.
Leonardo - Buscarem não sei dizer, mas com certeza os alunos têm toda a bagagem e preparação para buscarem empresas do exterior. Muitos ex-alunos concluíram a faculdade e em menos de dois anos iniciaram formações no exterior, incluindo renomadas faculdades dos EUA e Europa. E em seguida iniciaram uma carreira no exterior.
IMEano - Sim, mas é fundamental ter uma experiência primeiro aqui no Brasil, antes de se aventurar lá fora. Mas vejo dois caminhos mais simples para quem deseja ir para fora: a primeira seria pelo meio academico, fazer mestrado, MBA ou doutorado lá fora; a segunda seria assim que se formar entrar numa multinacional, que tem muitas vagas lá fora, aí com o tempo é mais fácil você arrumar transferência para lá, do que entrar por fora.
21. Quais atributos você considera mais importante na sua aprovação no concurso?
João – Determinação. Existem momentos que dá vontade de desistir, mas se você realmente acreditar que vale a pena ralar tudo isso, e pode ter certeza que vale, você vai chegar lá.
Leonardo – Diligência no estudo de todas as matérias, pois não adianta nada obter uma excelente nota em matemática e não obter nota mínima em português. E uma preparação básica que durou 2 anos com foco claro, abrangendo todo o conteúdo necessário sem deixar escapar nada.
IMEano – Planejamento, Foco e Disciplina.
22. Se pudesse resumir o seu ano de esforço para passar no concurso em uma frase, que frase seria?
João – Queria poder dizer algo diferente, mas na prática o estudo é cumulativo, quando mais você estudar, mais você estará preparado. E se você ainda não esta vendo resultado do seu esforço, é porque ainda não acumulou o suficiente. Continue estudando, que você verá o resultado. Se você já esta notando o resultado, não diminua o ritmo, pois a corrida ainda não acabou!
Leonardo – Foco e dedicação. Esqueça este ano, ele se pagará ao longo da vida. Foque e seja aprovado logo.
IMEano - Planejar: trace metas a curto e médio prazo para sua aprovação. Se pergunte: O que eu preciso fazer para passar? Quais são meus “gaps” de conhecimento? O que eu tenho que focar? Trace objetivos a curto prazo, planeje suas atividades diárias (não precisa marcar hora para dormir e comer, não vire escravo do tempo, faça esse planejamento de tal forma que seja agradável para você). E tente sempre que possível rever seu planejamento, com certeza ele irá mudar. Não esqueça de planejar atividades lúdicas, elas serão fundamentais para seu cérebro funcionar melhor.
Foco: Sempre lembre do seu objetivo final. Não queira abraçar o mundo, foque naquilo que é preciso para alcançar seu objetivo. O ótimo é inimigo do bom.
Disciplina: Baseado no seu planejamento, cumpra, siga seu plano, tenha CONTROLE do seu estudo.
Mensagem final aos futuros engenheiros.
Pensem que a Engenharia é uma formação básica muito forte e diferencial para toda sua vida. É sua primeira formação, muito se vai aprender com a experiência de trabalho e outros estudos. A engenharia por si só não irá garantir seu sucesso. É preciso dedicação, foco, pró-atividade, bom relacionamento, valorização do conhecimento/ aprendizado e dedicação a criar laços fortes com as pessoas que passam por sua vida. Vocês estão apenas começando e existe um caminho enorme, com muitas possibilidades e também percalços. Perseverem, pois o mais importante vocês já têm: um grande sonho. Não deixem de acreditar que podem realizá-lo, mas não esperem cair do céu. Nada virá por sorte.
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